Sexta-feira, Novembro 06, 2009

Julia saiu da UTI, está no quarto. Estou muito cansada.

Domingo, Outubro 11, 2009

As cigarras começaram de novo, brutas e brutas.
Nem um pouco delicadas as cigarras são.
Esguicham atarrachadas nos troncos
o vidro moído de seus peitos, todo ele
(chamado canto) cinzento-seco, garra
de pêlo, arame, um áspero metal.
As cigarras têm cabeça de noiva,
as asas como véu, translúcidas.
As cigarras têm o que fazer,
têm olhos perdoáveis.
- Quem não quis junto deles uma agulha?
- Filhinho meu, vem comer,
ó meu amor, vem dormir.
Que noite tão clara e quente,
ó vida breve e boa!
A cigarra atrela as patas
é no meu coração.
O que ela fica gritando eu não entendo,
sei que é pura esperança.

Adélia Prado

Quarta-feira, Setembro 09, 2009

Obtuário

Já que o Mean Divas, desta vez, falhou em fazer a nota de falecimento (já costumeira por lá), sinto-me na obrigação. Sinto muito este falecimento, dado que se trata de pesquisador que deixa saudade e respeito.

Clements, que ficou famoso por desenvolver a geometria de traços, modelo de fonologia predominante na década de oitenta e noventa, faleceu. A geometria periga seguir com ele. Espero que não. Há idéias interessantes desenvolvidas naquele arcabouço teórico.

Repito o texto de Hume, publicado no Linguist List, em sua homenagem:

It is with great sadness that we learned of the passing of G. Nick Clements, who died on Sunday, August 30, 2009 in Chatham, Massachusetts from cancer.

Nick Clements's career as a linguist spanned nearly forty years, during which time he contributed to our understanding of phonetics, of phonological theory, and of a range of languages of Africa and Europe. After receiving his PhD from the School of African and Oriental Studies in 1973 for a study of Ewe syntax, he spent nine years in Cambridge, Massachusetts, working first at MIT and then at Harvard. He moved to Cornell University in 1982, where he was professor of Linguistics and director of the phonetics laboratory. In 1992, he became Directeur de Recherche at the CNRS in Paris, France, which became the home of his work from that time forward. He was an invited professor and lecturer around the world, and taught at many linguistics institutes both in the United States and abroad. Nick's contributions to the field of linguistics were
innovative and influential, and an inspiration to many. Guided by keen insights and a rigorous scientific method, his search for the truth about aspects of language advanced our understanding of the categorization and organization of phonological features, of African syntax and tone, of vowel harmony systems, of the phonetics-phonology interface, among many other
topics. His studies were always the epitome of careful research and elegant argumentation.

Those among us who were honored to have been associated with Nick will forever remember him as a man of tremendous humility, a sincere and careful listener, and a creative thinker with the ability to masterfully synthesize
ideas and data so as to bring clarity to some long-standing problem. His kind and fun-loving spirit touched many, but none more so than the family he loved: his life partner, Annie Rialland, his children, William and Célia, and his brothers, sisters and their families.

I know that I speak for so many in saying that it was an honor and a privilege to have been associated with such a great man.


Elizabeth Hume
Professor and Chair
Department of Linguistics
The Ohio State University
Eu tenho um carro que se chama Deriva Sandalo. Já foi Meriva, mas atualmente é mais conhecida assim. Já fundiu o motor, quebrou suspensão, enfim you name it e deu esse problema. Mas eu sou persistente. Gasto a maior grana e insisto que a amo de paixão.

Mas um dia cansa. É sempre assim. Esse dia chegou e eu tentei trocar de carro. Quem disse que consigo? Quem quer esse carro? Estou à Deriva.

Quinta-feira, Setembro 03, 2009

Dia do sonho realizado

Sabe quando a gente sai do trabalho de campo e fica faltando uma palavrinha chave? O ódio que dá?

Eu tenho um sonho! Sonhei que um dia a gente pudesse usar a internet para resolver este problema.

Este dia chegou!


Gilbert/:
que a palavra vc se diz akami...
diria assim idamakami godemaani
ou godemaanigigio (da esq p direita o 3º G seria cortado)da útima pal.

Gilbert/:
akami godemaani isso não é o certo mas talves sirva a voces

Gilbert/:
Sabe que eu adooro minha lingua para mim não é incomodo te ajudar qdo se fala do kadiweu.
Querida não há conjução isso porque a fala kadiweu é muito aglutinado portanto qdo quer usar a conjução vá direto na palavra como:se gosto de voces digo...akamitaweqe gademaani

Gilbert/:
Com certeza há uma diferença entre as duas palavras, godemanigi por exemplo é aquele que agente ama,preferido ou querido etc
godemaa é contrario é aquele que nos ama,espero que consiga acompanhar o meu raciossinio

Quinta-feira, Agosto 13, 2009

Querido diário, foi na reunião da Linguistic Society of America de 1995 que conheci Ken Hale, pessoa que influenciou enormemente minha vida. Ele era o presidente da mesa onde apresentei a comunicação sobre a interface morfologia-sintaxe. Isso ocorreu em uma época em que eu estava bastante desacreditada de meu trabalho de doutorado, dados os desacordos com Daniel Everett. Ken Hale, um dos mais prestigiados linguistas dos Estados Unidos, fez uma menção honrosa ao meu trabalho frente a uma platéia de quase duzentas pessoas que haviam ido vê-lo falar sobre interface semântica-sintaxe. Ele me fez otimista de novo. Tenho que confessar que abandonar o trabalho sobre debucalização e sobre a língua pirahã, que eu realizava em Pittsburgh, não havia sido fácil como pode parecer depois de ver acima o bom resultado do novo trabalho. Não haveria bom resultado se não fosse pelo Ken Hale. Diante do seu incentivo, terminei o doutorado na Universidade de Pittsburgh no final do mesmo ano. Fui para o MIT, lá conheci um outro linguista, Michel DeGraff, que através de conceitos do gerativismo defendia uma outra visão para as línguas chamadas de contato, língua então vistas como línguas à parte para o estudo genético das línguas humana. O tempo passou. Ken Hale morreu. Nós outros, hoje, temos filhos. E eu oriento uma aluna a partir das idéias que aprendi com Michel, que me fascinaram, e ainda fascinam. E Michel veio à UNICAMP. Apresento o momento com as fotos abaixo.

Memory of a nice time


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Quinta-feira, Agosto 06, 2009

"Não é que eu tenha medo de morrer. É que eu não quero estar lá na hora que isso acontecer."

Estou cheia de medo. Um medo que não se sabe de onde vem. Ou se sabe?

A Wikipedia diz assim:

"O medo é um sentimento que proporciona um estado de alerta demonstrado pelo receio de fazer alguma coisa, geralmente por se sentir ameaçado, tanto fisicamente como psicologicamente.

Medo é uma reação obtida a partir do contato com algum estímulo físico ou mental (interpretação, imaginação, crença) que gera uma resposta de alerta no organismo. Esta reação inicial dispara uma resposta fisiológica no organismo que libera hormônios do estresse (adrenalina, cortisol) preparando o indivíduo para lutar ou fugir.

Então, é assim mesmo.

Mas eu quero me defender com a frase de WA acima. Não quero estar lá e pronto!

Quinta-feira, Julho 16, 2009

Sou talvez a visão que Alguém sonhou,
Alguém que veio ao mundo pra me ver,
E que nunca na vida me encontrou!