Trabalho de campo
¨Ao moralista, a sociedade bororo ministra uma lição: que ele escute seus infomantes indígenas; estes hão de lhe descrever, como o fizeram para mim, esse balé em que duas metades de aldeia obrigam-se a viver e a respirar uma por meio da outra, trocando as mulheres, os bens e os serviços em meio a uma fervorosa preocupação de reciprocidade, casando seus filhos entre si, enterrando mutuamente seus mortos, garantindo-se uma à outra que a vida é eterna, o mundo, caridoso, e a sociedade, justa. Para comprovar essas verdades e manter essas convicções, seus sábios elaboraram uma cosmologia grandiosa; inscreveram-na na planta de suas aldeias e na repartição das habitações. As contradições em que esbarram, enfrentaram-nas e reefrentaram-nas, jamais aceitando uma oposição a não ser para negá-la em favor de outra, dividindo e separando os grupos, associando-os e defrontando-os, fazendo de toda a sua vida social e esperitual um brasão em que a simetria e a assimetria se equilibram, como nos elaborados desenhos com que uma bela Cadiueu, mais obscuramente torturada pela mesma preocupação, fere o próprio rosto.¨ (Lévy-Strass, 1955: 229).


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