se ao menos chovesse menos
As crianças vão dormir com o pai terças e quintas, e às vezes nos finais de semana. É bom ficar em casa sentindo uma solidão que desconhecia até pouco tempo. Mas sinto a falta de uma voz que anda tão calada. Queria ouvir o que sente. Só ouvir. Dá vontade de ir lá e falar: fala, porra! Você está bem? Só quero saber. Mas jamais saberei. Vou é ficar aqui vendo as noites de lua ou ouvindo a chuva torrencial. É um sentimento insuportável.
Sonhei que minha casa foi invadida por um ladrão. Eu fugi, mas havia outro só olhando do lado de fora. Ele viu que eu fugia e deixou. Pensei em chamar a polícia, mas no caminho resolvi deixar tudo. Fique com a casa, escolha o que achar de valor. Pegue, pode levar, é seu. Eu segui sozinha vagando até que caí numa alcova escura e úmida. As paredes eram vermelhas, mas a tinta estava descascando e dava para ver tinta branca embaixo das cascas de tinta vermelha. Brotava gotas de água das paredes úmidas, que misturadas com a tinta vermelha pareciam sangue. As paredes sangravam.
---
Cazuza
Poema
Eu hoje tive um pesadelo
E levantei atento, a tempo
Eu acordei com medo
E procurei no escuro
Alguém com o seu carinho
E lembrei de um tempo
Porque o passado me traz uma lembrança
De um tempo que eu era ainda criança
E o medo era motivo de choro
Desculpa pra um abraço, um consolo
Hoje eu acordei com medo
Mas não chorei nem reclamei abrigo
Do escuro, eu via o infinito
Sem presente, passado ou futuro
Senti um abraço forte, já não era medo
Era uma coisa sua que ficou em mim
E que não tem fim
De repente, a gente vê que perdeu
Ou está perdendo alguma coisa
Morna e ingênua que vai ficando no caminho
Que é escuro e frio, mas também bonito porque é iluminado
Pela beleza do que aconteceu há minutos ou anos atrás
Sonhei que minha casa foi invadida por um ladrão. Eu fugi, mas havia outro só olhando do lado de fora. Ele viu que eu fugia e deixou. Pensei em chamar a polícia, mas no caminho resolvi deixar tudo. Fique com a casa, escolha o que achar de valor. Pegue, pode levar, é seu. Eu segui sozinha vagando até que caí numa alcova escura e úmida. As paredes eram vermelhas, mas a tinta estava descascando e dava para ver tinta branca embaixo das cascas de tinta vermelha. Brotava gotas de água das paredes úmidas, que misturadas com a tinta vermelha pareciam sangue. As paredes sangravam.
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Cazuza
Poema
Eu hoje tive um pesadelo
E levantei atento, a tempo
Eu acordei com medo
E procurei no escuro
Alguém com o seu carinho
E lembrei de um tempo
Porque o passado me traz uma lembrança
De um tempo que eu era ainda criança
E o medo era motivo de choro
Desculpa pra um abraço, um consolo
Hoje eu acordei com medo
Mas não chorei nem reclamei abrigo
Do escuro, eu via o infinito
Sem presente, passado ou futuro
Senti um abraço forte, já não era medo
Era uma coisa sua que ficou em mim
E que não tem fim
De repente, a gente vê que perdeu
Ou está perdendo alguma coisa
Morna e ingênua que vai ficando no caminho
Que é escuro e frio, mas também bonito porque é iluminado
Pela beleza do que aconteceu há minutos ou anos atrás


1 Comentários:
Filomena do Céu...
Se chovesse menos a gente não ia poder ler essas coisas loucas que as pessoas escrevem... adorei sua vida de índio. Um beijão!
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