segunda-feira, outubro 10, 2005

As duas mãos quebradas

É um saco não ter nenhum sonho. Tô cansada...

Pus o meu sonho num navio e
o navio em cima do mar;
- depois, abri o mar com as mãos,
para o meu sonho naufragar

Minhas mãos ainda estão molhadas
do azul das ondas entreabertas,
e a cor que escorre de meus dedos
colore as areias desertas.

O vento vem vindo de longe,
a noite se curva de frio;
debaixo da água vai morrendo
meu sonho, dentro de um navio...

Chorarei quanto for preciso,
para fazer com que o mar cresça,
e o meu navio chegue ao fundo
e o meu sonho desapareça.

Depois, tudo estará perfeito;
praia lisa, águas ordenadas,
meus olhos secos como pedras
e as minhas duas mãos quebradas.

Cecília Meireles

4 Comentários:

Blogger Gigi disse...

Antes uma vida sem sonho que uma com pesadelos...

Um dia eu sonhei que não havia pontuação no mundo. Acordei suando frio... :)

9:26 PM  
Blogger filomena disse...

Nossa, não sabia que existia pesadelo lingüístico! Assustador!! O meu problema é que fiz tudo muito cedo e muito rápido, agora fica parecendo que não há novidade no mundo...Mas poderei cantar com Raul Seixas na festa de terça para me alegrar.

10:53 PM  
Blogger Gigi disse...

Oras, não se preocupe; sempre aparece um novo sonho. Ou, pelo menos, um novo desejo.

Arranjei um par de óculos Ray Ban da década de 70 para usar na festa. Daqueles gigantes! :)

Sobre os pesadelos lingüísticos: um dia uma amiga minha teve um sonho em preto e branco, com direito a legendas amarelas. Não é a toa que ela foi fazer cinema. :D

12:27 AM  
Blogger filomena disse...

Hum...Deveriam desenvolver um novo teste vocacional baseado em sonhos!!
Eu acho que vou de óculos gatinho preto. Duro vai ser ver alguma coisa.

10:44 AM  

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