sábado, janeiro 14, 2006

Madre de Sarah

Queria ter uma máquina fotográfica comigo para poder registrar as emoções de minhas primeiras férias de hospital. Com certeza a máquina iria registrar cenas lindas como cinco meninas de cadeiras de rodas brincando de bonecas, o show de um ex-cantor que se esforça para lembrar da frase dita há cinco minutos, os primeiros passos de um adulto, a beleza do lago. Mas nenhuma máquina pode registrar a alma deste lugar. O que é a alma de quem já lutou com a morte? Quem volta da morte costuma ter convulsões por alguns meses. É o sistema nervoso em tempestade. Ele acalma. Nunca a alma da mãe da morte. É sempre como um papel amassado. Pode até passar à ferro quente fervendo, a seqüela fica. A alma permanece na eternidade em convulsão. A vida e a morte transitam na paralela.

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