Momento de prece
Novíssimo Jó
Murilo Mendes
Eu fui criado à tua imagem e semelhança.
Mas não me deixaste o poder de multiplicar o pão do pobre,
Nem a neta de Madalena para me amar,
O segredo que faz andar o morto e faz o cego ver.
Deixaste-me de ti somente o escárnio que te deram,
Deixaste-me o demônio que te tentou no deserto,
Deixaste-me a fraqueza que sentiste no horto,
E o eco do teu grande grito de abandono:
Por isso serei angustiado e só até a consumação dos meus dias.
Porque não me fizeste morrer pelo gládio de Herodes.
Ou porque não me fizeste morrer no ventre da minha mãe? Não me liguei ao mundo, nem venci o mundo.
Já me julguei muito antes dos teu julgamento.
E já estou salvo porque me deste a poeira por herança.
Até há pouco tempo atrás no meu país
Ninguém sabia que a vida é a luta entre classes
E eu já era, desde cedo, inconformado e triste.
Antes da separação entre os homens
Existe a separação entre o homem e Deus.
É doce te encarar como poeta e amigo,
É duro te encarar como criador e juiz.
Tu me guardas como instrumento de teus desígnios,
Tu és o Grande Inquisidor perante mim.
Aceitação
Cecília Meireles
É mais fácil pousar o ouvido nas nuvens e sentir passar as estrelas do que prendê-lo à terra e alcançar o rumor dos teus passos.
É mais fácil, também, debruçar os olhos no oceanos e assistir, lá no fundo, ao nascimento mudo das formas, que desejar que apareças, criando com teu simples gesto o sinal de uma eterna esperança
Não me interessam mais nem as estrelas, nem as formas do mar, nem tu.
Desenrolei de dentro do tempo a minha canção: não tenho inveja às cigarras: também vou morrer de cantar.
E um viva para o Monólogo da Cigarra!!!!!
Murilo Mendes
Eu fui criado à tua imagem e semelhança.
Mas não me deixaste o poder de multiplicar o pão do pobre,
Nem a neta de Madalena para me amar,
O segredo que faz andar o morto e faz o cego ver.
Deixaste-me de ti somente o escárnio que te deram,
Deixaste-me o demônio que te tentou no deserto,
Deixaste-me a fraqueza que sentiste no horto,
E o eco do teu grande grito de abandono:
Por isso serei angustiado e só até a consumação dos meus dias.
Porque não me fizeste morrer pelo gládio de Herodes.
Ou porque não me fizeste morrer no ventre da minha mãe? Não me liguei ao mundo, nem venci o mundo.
Já me julguei muito antes dos teu julgamento.
E já estou salvo porque me deste a poeira por herança.
Até há pouco tempo atrás no meu país
Ninguém sabia que a vida é a luta entre classes
E eu já era, desde cedo, inconformado e triste.
Antes da separação entre os homens
Existe a separação entre o homem e Deus.
É doce te encarar como poeta e amigo,
É duro te encarar como criador e juiz.
Tu me guardas como instrumento de teus desígnios,
Tu és o Grande Inquisidor perante mim.
Aceitação
Cecília Meireles
É mais fácil pousar o ouvido nas nuvens e sentir passar as estrelas do que prendê-lo à terra e alcançar o rumor dos teus passos.
É mais fácil, também, debruçar os olhos no oceanos e assistir, lá no fundo, ao nascimento mudo das formas, que desejar que apareças, criando com teu simples gesto o sinal de uma eterna esperança
Não me interessam mais nem as estrelas, nem as formas do mar, nem tu.
Desenrolei de dentro do tempo a minha canção: não tenho inveja às cigarras: também vou morrer de cantar.
E um viva para o Monólogo da Cigarra!!!!!


2 Comentários:
Acho que esta música cai bem com os poemas.
Invocação
(Chico César)
Deus dos sem deuses
deus do céu sem Deus
Deus dos ateus
Rogo a ti cem vezes
Responde quem és?
Serás Deus ou Deusa?
Que sexo terás?
Mostra teu dedo, tua língua, tua face
Deus dos sem deuses
Adoro Chico César, vi uma apresentação dele em Recife. Muito bom!
Agora, com trilha sonora, ficou muito bom!!!!!
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