Depois da aula, eu estava conversando com a Angela sobre um filme japonês que ela viu. Vou contar de segunda mão. Assim, pode não ser exatamente assim, mas é como lembro. Nesse filme, as pessoas, ao morrerem, iam para um lugar X onde tinham que escolher uma única cena da vida que ficariam com ela em memória eterna. De resto, tudo de mal e de bom seria esquecido. Acontece que sonhei que estava naquele lugar. Tinha que escolher a minha cena. Difícil. No meu sonho, passaram várias cenas importantes. A minha primeira apresentação em mega conferência no exterior, com as palavras importantes de Ken Hale sobre meu trabalho; o nascimento de minha primeira filha; uma noite dormindo ao lado de um homem amado; e assim vai. Não escolhi nada disso. Escolhi uma conversa aparentemente banal de amigos. Acordei. Cinco e meia. E fiquei pensando na escolha de meu sonho. Revisando cada candidato para memória eterna que perdeu, percebi, de fato, um problema que não gostaria de ficar com ele para sempre. Aquela simples conversa foi um momento, de fato, divertido e com implicações para um tempo importante de minha vida. Sem dúvidas, palavras que seriam boas levar para sempre, bem como o sentimento de amizade. Faria a mesma escolha em consciência. Mas ainda assim só voltei a dormir bem depois do dia ficar claro, ainda perturbada. Não sei bem o porquê. Talvez porque estamos diante da pergunta de se há fato eterno, ou melhor, tão perfeito a ponto de ser eternidade. Parece melhor, talvez, não levar nada. E incomoda.


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