A dupla negação
Authier (1982) coloca que o “eu e o outro” opera dentro do discurso no espaço do não-explícito, do sugerido, instaurando no lugar de uma fronteira, de um limiar. Há uma presença diluída do outro no discurso de um eu. É neste contexto, que gostaria de sugerir uma tese sobre dupla negação, tão comum em alguns dialetos brasileiros, como o do nordeste. Não se trata de um bom tema para se sugerir para um gerativista, uma vez que gerativistas sabem muito bem o que querem ao começar a pós-graduação. Seguem uma metodologia científica hipotética-dedutiva que leva a experimentos que possam responder a perguntas específicas e colocadas a priori. Trata-se de uma sugestão para a análise do discurso. O analista do discurso procura dados longitudinais e esperam sem saber muito bem onde o psicanalítico o levará. E sempre leva a conclusões profundas. A dupla negação é um ótimo tema, dentro deste contexto. Cabe aqui lembrar a voz nasalizada da língua pirahã. Parece-me correta a análise de que a voz nasalizada marca a distinção entre um discurso aparentemente passivo e outro ativo. A voz nasalizada marca um discurso de uma aparente passividade diante da negação. Assim, os enunciados nasalizados marcam falas que são incapazes de mudar uma realidade, a estes seres só cabe receber da natureza. No entanto, há uma polifonia dentro de tudo isso. De acordo com Freud, o ser humano só pode obter seus conceitos mais antigos e mais simples por oposição a seus opostos. O que seria uma dupla negação aqui? É fato que o sujeito advém pela linguagem, mas perde-se nela por estar aí apenas representado. Em suma, trata-se de muita fala chic para eu por em uso algumas palavras de Millor Fernandes, com louvor e distinção. E ponto final.


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