Sem nome
Sou uma apaixonada pela vida, mas nunca amei. Falo tanto em amor talvez por ser o que falta na minha vida. Falo do amor romântico, dos livros, que é o que conheço bem. Não de pessoas verdadeiras. Um amigo me disse uma vez em uma rua chuvosa de Brasília que conhece mais livros que gente. Eu também, e com muito mais tempo de conhecimento. Triste, mas mesmo assim continuo amando a vida. Ainda mais eu que fiquei tanto tempo quase morta de dor pela Julia. Aprendi que tudo passa na vida, mas tem coisas que passam sem serem esquecidas. A dor deste episódio está neste caso. Este não esquecimento faz ainda maior o medo do amor. Não sei bem o porquê, mas é fato. Assim, falo com o conhecimento das letras e não da vida. Meu casamento foi estável enquanto eu estava no exterior, talvez pela necessidade de companhia em mundo estranho, não era amor como definido pela minha mãe. Como será este sentimento quando verdadeiro? Minha mãe define isso como ter uma pessoa perto que é amigo, irmão, pai e filho. Tudo em uma única pessoa. Não, não sei como é. Nem acho que vou saber. Acho o mundo estranho. Amo a vida, mas não sei o que é amor. Talvez por ser do signo de peixes. Será que isso faz diferença? Não creio, mas é fato que sou um peixe. Ser assustado, que foge fácil para outra praia por medo se sentir insegurança. Ser instável. Vivi em dois tempos diferentes e o não entendimento de relacionamento em qualquer dos dois tempos me faz ainda mais perplexa e cheia de proteção. Ser que sente pequenas emoções com grande paixão, mas que não pode (consegue?) chegar às grandes. Ser diferente do meu estável e maduro lado racional. Solução imediata? Transformar tudo em apenas razão. Eu e uma amiga resolvemos fazer trabalho de campo na noite. Faremos uma etnografia sobre relacionamentos. Observamos. Anotamos e discutimos. Não há nada de sentimento, pura investigação científica. Coisa absurda, mas muito engraçada. É isso, nada muda. Mas o riso me faz amar ainda mais o fato de simplesmente estar viva.


2 Comentários:
Interessante esse trabalho de campo... Já pensou se dessem uma bolsa para isso? Melhor que observar/estudar as pessoas é ser paga para observar/estudar as pessoas... =)
Esse foi um estudo curto demais. A etnografia já está quase pronta, uma vez que tudo o que se pode observar é banal demais. Chega.
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