Copiei mesmo!
"Existem, fundamentalmente, duas formas de SER, isto é, ESTAR, no mundo. Essas formas de ser são radicalmente opostas e excluem-se mutuamente.
A primeira destas formas é sedentária. Procura constantes pontos de apoio, busca e deseja permanentes e pacíficos lugares de chegada e descanso. Uma tal postura existencial e intelectual leva à criação de princípios de infalibilidade, zonas de estática e monumentos a ídolos. Esta mentalidade faz parte daquilo a que a escola de K. Popper definiu como o racionalismo tradicional do ocidente. Toda sua confiança, necessária confiança, assenta em teorias construídas em sistema fechado. Idéias estatuídas da força da razão e da razão da força balançando, assim, entre o dogma e o fanatismo. Vivem na base de zonas intelectuais e existenciais silenciadas, de desvios do olhar, de espaços do interdito onde existe um não discutido nem discutível porque antecipadamente "evidente" / "infalível". Trata-se, em última instância, duma racionalidade em prisão, duma total obediência à(s) autoridade(s). A atitude sedentária fundamenta o discurso dogmático, é a subestrutura de toda e qualquer FÉ que cria o divulgador-burocrata.
A segunda forma é nômade. Faz da dúvida e relatividade a sua estrada de existência intelectual. Pesa e martela a totalidade das estáticas, questiona os princípios de obediência à autoridade. Procura viver em constante procura, escuta a voz de Zaratustra proclamando a cidade nos arredores do Vesúvio e caminha para os vulcões incendiando a própria voz do profeta. Esta postura assenta na busca e desejo de constantes e eternos pontos de partida aceitando todos os pontos de chegada como meros lugares de passagem, degraus dum caminho que apenas se faz caminhando. Trata-se, portanto, do princípio da crítica da razão e da razão da crítica que recusa toda e qualquer sistematização fechada, que proclama a abertura a toda a possibilidade de paradoxo, isto é, de procura de mais e novo sentido.A atitude nômade fundamenta o discurso problemático, cria o investigador. Seu norte é a radical e total problemática, o essencial convite a dúvida e hipótese daquele que não se propõe sabedor, mas buscador".
Luis Felipe Barreto, Caminhos do Saber no Renascimento Português (apud MC)
A primeira destas formas é sedentária. Procura constantes pontos de apoio, busca e deseja permanentes e pacíficos lugares de chegada e descanso. Uma tal postura existencial e intelectual leva à criação de princípios de infalibilidade, zonas de estática e monumentos a ídolos. Esta mentalidade faz parte daquilo a que a escola de K. Popper definiu como o racionalismo tradicional do ocidente. Toda sua confiança, necessária confiança, assenta em teorias construídas em sistema fechado. Idéias estatuídas da força da razão e da razão da força balançando, assim, entre o dogma e o fanatismo. Vivem na base de zonas intelectuais e existenciais silenciadas, de desvios do olhar, de espaços do interdito onde existe um não discutido nem discutível porque antecipadamente "evidente" / "infalível". Trata-se, em última instância, duma racionalidade em prisão, duma total obediência à(s) autoridade(s). A atitude sedentária fundamenta o discurso dogmático, é a subestrutura de toda e qualquer FÉ que cria o divulgador-burocrata.
A segunda forma é nômade. Faz da dúvida e relatividade a sua estrada de existência intelectual. Pesa e martela a totalidade das estáticas, questiona os princípios de obediência à autoridade. Procura viver em constante procura, escuta a voz de Zaratustra proclamando a cidade nos arredores do Vesúvio e caminha para os vulcões incendiando a própria voz do profeta. Esta postura assenta na busca e desejo de constantes e eternos pontos de partida aceitando todos os pontos de chegada como meros lugares de passagem, degraus dum caminho que apenas se faz caminhando. Trata-se, portanto, do princípio da crítica da razão e da razão da crítica que recusa toda e qualquer sistematização fechada, que proclama a abertura a toda a possibilidade de paradoxo, isto é, de procura de mais e novo sentido.A atitude nômade fundamenta o discurso problemático, cria o investigador. Seu norte é a radical e total problemática, o essencial convite a dúvida e hipótese daquele que não se propõe sabedor, mas buscador".
Luis Felipe Barreto, Caminhos do Saber no Renascimento Português (apud MC)


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