craô
Um índio saiu para caçar; foi abeirando o mato. Escutou o rabo-de-couro (kreré, uma espécie de tatu) a cantar. Aproximou-se e ficou escutando, de longe, a cantiga. Chegou mais perto e estalou um galho de pau. O rabo-de-couro falou: "Eh, já enxerguei você; você não está escondido não; não tem por onde você se esconder." "Eh, já me enxergou, vou embora." E (o índio) foi embora. Quando chegou (à aldeia) contou para os outros: "Oh, mas acolá, fui chegando à beirada do mato e fui escutando a cantiga de um bicho; eta cantiga bonita! "E cantou para os outros e eles ficaram gostando da cantiga. Um outro falou: "Agora vamos nós dois, para nós ouvirmos de perto, porque, quando dá fé, você está mentindo." E foram. Já iam chegando e escutaram a cantiga. Foram indo devagar e ficaram de longe. Escutaram um bocado de cantiga(s), mas um pau estalou e o rabo-de- couro parou: "Eh, já te enxerguei, você não se esconde nada não!" "Eh, já nos exergou, nós não nos escondemos não." Voltaram (à aldeia). Chegaram e contaram. Agora foram três índios. Chegaram perto e aí diz-se que deitaram e ouviram até meio-dia e voltaram. Disseram para os outros. "Agora nós vamos todo mundo para ouvir". Foram um bocado de madrugada e se esconderam. O rabo- de-couro cantou até perto de quatro horas da tarde. O rabo-de-couro parou a cantiga e eles voltaram de novo. Aí combinaram na aldeia para matarem o bicho. Foram sem cavador, cavador de pau, não era de ferro não. Foram para flechar o bicho, mas não flecharam, porque morava dentro de um buraco. Voltaram sem matar. Foram então para matar e levaram o cavador de pau. Chegaram lá, quebraram a parede num ponto; quebraram em outro ponto; não acharam. Em outro ponto furaram e não acharam. Furaram outra vez e não acharam. O rabo-de-couro se mexeu no meio; furam e o encontraram. Espetaram-no com a ponta do arco e o mataram. Antes de aprenderem com o rabo-de-couro, os índios tinha outra cantiga: era feia mesmo. As cantigas do rabo-de-couro são as que se cantam na praça com o maracá, as que se cantam andando ou correndo pelo(s) caminho(s) da aldeia.


4 Comentários:
Nossa, o que houve com a Julia? É uma nova fratura, ou aquela do carro? Mande noticias!
Bom, às vésperas de 2008, vamos ver o que vai ser... boa sorte pra nós todos! Feliz ano novo! :)
As coisas não parecem ir muito bem p/ vc nesse fim de ano...devemos fazer novos pedidos para o Padre Cícero...2008 deve ser melhor!!!
uau! seu fim de ano foi infinitamente melhor que o meu então. só passei calor por aqui...
mas que ótima essa experiência alternativa! muito mais legal do que "o de sempre" pro fim de ano!
e essa imersão na sociedade alternativa ainda funciona como um "spa moral"! sim, porquê mendicância com título de doutorado e carro importado à disposição só pode ter um nome mais bonito que "marginalização voluntária"! hahhahahahahh
preciso experimentar algo parecido... tem horas que dá mesmo vontade de explodir a sociedade, as pessoas jurídias e as instituições :)
É isso. :)
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