sexta-feira, julho 25, 2008

Fragmentos do medo

Fiz uma montagem de algumas coisas que escrevi aqui ao longo dos anos sobre o tema medo. Saiu isso, que ganhou o nome de:

Medo

Queria ouvir o que sente. Só ouvir. Vou é ficar aqui vendo as noites de lua. Gosto da lua cheia, ainda mais da crescente. Dá esperança. É um sentimento insuportável. “Parece uma boca sem dentes tentando gritar e não conseguindo”. É o medo. Sonhei que entrava em uma casa. Carpete creme com luz. Era uma antiga casa que habitei. E a casa foi invadida por um ladrão. Eu fugi, mas havia outro só olhando do lado de fora. Ele viu que eu fugia e me deixou. Pensei em chamar a polícia, mas no caminho resolvi deixar tudo. Fique com a casa, escolha o que achar de valor. Pegue, pode levar, é seu. Entrei à noite, escura sem estrelas, sem luz. O assassino estava esperando. Me atacou com uma faca. Vi outra casa. Gritei para um dos moradores. Ele já estava morto e nada podia fazer. Gritei para o segundo. Havia tomado muito remédio para dormir. Não podia acordar. O terceiro, que nunca ocupou verdadeiramente a casa, não ouviu. Eu segui sozinha vagando até que caí numa alcova escura e úmida. As paredes eram vermelhas, mas a tinta estava descascando e dava para ver tinta branca embaixo das cascas de tinta vermelha. Brotava gotas de água das paredes úmidas, que misturadas com a tinta vermelha pareciam sangue. As paredes sangravam. Formo a figura do homem vitruviano e o sangue escorre pelos braços, pingando nas pernas. Abaixo os braços e o sangue escorre pelos pulsos ralo embora. Calada numa voz de fumaça ao mundo, no esparramado vermelho sem luz. Há murmúrios dolentes. Palavra esvaindo. Sangra verde. É verde agora. Há noites silenciosas. Endoidecendo. Palavras soltas em vogais abertas. Que frio! Onde o alívio? O crepúsculo anuncia o dia de amarelo. Reaparecendo sem cor, sonho outro dia: crepúsculo a apresentar ao mundo apenas um sorriso.

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