terça-feira, setembro 02, 2008

De repente o mundo ficou sem graça. Sonhei que todos da minha família tinham morrido. Eu ficava, então, toda noite, em um ponto de ônibus para voltar do trabalho, admirando um parque. Não dá para ver o interior do parque; somente a escuridão interna em segundo plano. Em primeiro, algumas folhagens de árvores mais a grade que circunda o parque. Angústia e vazio. Então, ouvi uma música cantada por um mendigo no ponto. A música dele acompanhava a contemplação estática de toda noite. O canto era meu acalento. Tornava suportável a escuridão do parque. Um cemitério? Mas ao levantar o rosto em direção da música, não era o cantor. Eram alguns taxistas lembrando e imitando o cantor que também havia morrido. Peguei meu ônibus. A partir daí, a vida pareceu um pouco perdida, sem um objetivo mais elaborado e difícil de concretizar. Parece uma tatuagem kadiwéu, é uma figura que sugere continuidade, como se as linhas não acabassem, sugerindo movimento através das espirais que terminam dando a volta e refazendo o mesmo caminho. Figura dentro de um ônibus sem chegar a lugar nenhum.

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