terça-feira, julho 24, 2012

Mulheres de sucesso O americano Thomas Stanley lançou recentemente um livro sobre mulheres de sucesso profissional. O livro é um sucesso óbvio dada a curiosidade que a vida bem-sucedida desperta, especialmente neste caso: mulheres, afinal trata-se de uma camada da sociedade excluída historicamente. Mas eu não quero falar do sucesso profissional, como aquele livro tratou. Quero falar sobre mulheres mães de deficientes. A questão é que, por maior sucesso que uma mulher possa ter, seu sentimento de sucesso depende também do sucesso de sua prole. E em que sociedade a gente vive no Brasil? Estamos em uma sociedade em que se depara com uma enorme rejeição das pessoas com relação à deficiência manifestada frequentemente por olhares e comentários frente a presença de um deficiente nos diferentes ambientes que frequenta (cf. Barbosa 2008). O sucesso da prole é crucial e, no entanto, as escolas não garantem no Brasil a inclusão de deficientes em todas as escolas. Quantas escolas aceitam prontamente quando uma mãe tenta matricular uma criança deficiente? Falo com conhecimento de causa. Sou mãe de deficiente. Ou se aceitam, jogam aos pais responsabilidades educativas que são da escola. O Estatuto das Pessoas com Deficiência (Decreto n. 3298, publicado no Diário Oficial da União no dia 21 de dezembro de 1999), que regulamenta a lei no 7.853, de 24 de outubro de 1989, e dispõe sobre a Política Nacional para a Integração da Pessoa Portadora de Deficiência, consolida a seguinte norma de proteção: “Art. 29. - As escolas e instituições de educação profissional oferecerão, se necessário, serviços de apoio especializado para atender às peculiaridades da pessoa portadora de deficiência, tais como: I - adaptação dos recursos instrucionais: material pedagógico, equipamento e currículo; II - capacitação dos recursos humanos: professores, instrutores e profissionais especializados; e III - adequação dos recursos físicos: eliminação de barreiras arquitetônicas, ambientais e de comunicação.” Quantas escolas já atenderam plenamente a estas demandas? Alguém poderia dizer que toda esta fala parece o simples desabafo de uma mulher sem sucesso que joga ao seu filho seu fracasso. E afirmo cheia de certezas: não é este o caso. Sou mulher, sou mãe de deficiente, e com sucesso profissional. Obviamente escrever faz abafar a dor e a revolta, não se pode negar. Mas se trata, acima de tudo, de uma denúncia de uma sociedade preconceituosa que não atende leis claras para a proteção de cidadãos que precisam de mais ajuda. Penso nas mães mais carentes impossibilitadas de qualquer sucesso por ficarem em casa com filhos sem acesso escolar. Penso nas muitas crianças sem acesso ou com acesso limitado a escolarização. Que seres somos? Quem são as mulheres de sucesso? Sucesso verdadeiro é começar atrasado, mas saber que se pode chegar a algum lugar. Filomena Sandalo Professora Associada, Universidade Estadual de Campinas, e mãe Referência: Barbosa, M.A.M., N.C. Massae & M.M.F. Gomes. 2008. Vivências de mães com um filho deficiente: um estudo fenomenológico. Acta Paul Enferm 21(1):46-52.

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