sábado, novembro 18, 2006



Li que sapos vêem fótons individuais. Segundo esta informação, 'eles percebem quando o espaço encolhe, quando o tempo pára'. Será que eles percebem o tempo regredir? Eu acho que isso é possível sim. E sei de sapos que podem atestar o fato.

Nunca os últimos, jamais os ouvidos

Mais versos mais tristes não são lamentos. São ecos atravessando o tempo. Somente momentos realmente felizes, capazes de mudar uma história, podem ser ritualizados em versos tristes como os de Neruda. Impossível voltar, impossível desfazer os fatos, mas as suas marcas tatuadas no sangue ficam sempre. Marcas desejadas não se apagam, apenas desbotam bem devagar. Curto o amor, longo o esquecimento.

Posso escrever os versos mais tristes esta noite.

Escrever, por exemplo: 'A noite está estrelada,
e cintilam azuis, os astros, distantes'.

O vento da noite gira no céu e canta.

Posso escrever os versos mais tristes esta noite.
Eu o quis, e às vezes ele também me quis.

Em noites como esta eu o tive entre meus braços.
Beijei-o tantas vezes debaixo do céu infinito.

Ele me quis, às vezes eu também o queria.
Como não ter amado seus grandes olhos fixos.

Posso escrever os versos mais tristes esta noite.
Pensar que não o tenho. Sentir que eu o perdi.

Ouvir a noite imensa, mais imensa sem ele.
E o verso cai na alma como no pasto cai o sereno.

Que importa que meu amor não pôde guardá-lo.
A noite está estrelada e ele não está comigo.

Isto é tudo. Bem distante alguém canta. Bem distante.
Minha alma não se contenta em tê-lo perdido.

Como para aproximá-lo meu olhar o procura
Meu coração o procura, e ele não está comigo.

A mesma noite que faz branquear as mesmas árvores.
Nós, os de então, já não somos os mesmos.

Já não o quero, é certo, mas quanto eu o quis.
Minha voz buscava o vento para tocar o seu ouvido.

De outra. Será de outra. Como antes dos meus beijos.
Sua voz, seu corpo claro. Seus olhos infinitos.

Já não o quero, é certo, mas talvez o queira.
É tão curto o amor, e é tão longo o esquecimento.

Porque em noites como esta eu o tive entre meus braços,
Minha alma não se contenta em tê-lo perdido.

Ainda que seja esta a última dor que ele me causa
e sejam estes os últimos versos que eu o escrevo.

quarta-feira, novembro 01, 2006




nada en la garganta
nada entre los brazos
nada en los bolsillos
ni en el pensamiento
sino mi corazón sonando alto alto
entre las nubes
como un cañonazo