sexta-feira, abril 25, 2008

Altamente recomendado



Trata-se de uns alienígenas idiotas que caem na terra por acidente e tentam voltar. Na versão brasileira, cada um fala com um sotaque diferente do Brasil. Eles têm uma máquina de transformação para disfarçar, e se transformam nas criaturas mais bizarras (mas existentes) da terra. Eles acabam mandando para o planeta natal, por acidente, cada criatura terráquea que os incomodam, tornando o planeta natal totalmente inviável. É muito engraçado, e bem que eu queria um planetinha desses para mandar algumas pessoas!

quinta-feira, abril 24, 2008

Lendo...

Estava eu lendo o jornalzinho da escola e o Dudu disse: lendo o informativo, né? Eu disse que sim. Ele disse: está escrito informativo na capa. Eu, sim. Ei! Note, eu LI informativo. E hoje, disse o Dudu, sou eu quem vai ler uma estória para você dormir. E leu! Que lindo! O Dudu vai fazer 6 anos no dia 4 de maio.

Terremoto

- Vc. tb. sentiu a terra tremendo há pouco? Vixe!
- Teve um tremor de terra lá pelas 21h. Até alguns amigos em são Paulo sentiram!Deve ter sido reflexo de algum terremoto...

Bom, eu me salvei de morte sem honra se o terremoto tivesse sido realmente forte. Estava tomando banho de hidromassagem e devo ter achado que as bolhas estavam REALMENTE boas às 21h. Não percebi nada estranho. Imagina se o terromoto tivesse sido forte e eu fosse, depois, encontrada morta tomando banho! Que morte sem honra! Ainda se estivesse acompanhada poderia (dependendo) render alguma honra... Mas não era o caso.

segunda-feira, abril 21, 2008

O que se busca é o lamentavelmente sem volta sempre. Não adianta buscar. E lamenta-se. O lamento é entendido, por muitos, como tristeza que vem do presente. E assim, muitos tendem a pensar as alegrias presentes como falsas porque não correspondem à meta idealizada. O que não podem ver é que as alegrias presentes são verdadeiras, o subjacente sustento. Se não fossem elas, a vida seria apenas a busca do insustentável.

O índio é imune à bandidagem?

O índio tem a mesma galeria de problemas de qualquer ser humano. E tem, de fato, uma situação especial no Brasil. Porque este país reconhece direitos originários e isso, por si só, é um gesto histórico de proporções imensas. O País reconhece que tem uma dívida para com os índios. Apesar disso, reina uma abissal ignorância sobre a realidade desses povos de quem somos devedores.

Viveiros de Castro

domingo, abril 20, 2008

Cheiro de chuva

palavras simples,
com som de pingos de chuva
cheiro de terra molhada
sentimento inteiro
nunca se abala

Relax




Sempre digo que não gosto de assistir TV, mas agora gosto. Descobri um programa que gosto: Padrinhos Mágicos. Trata-se de um Cinderelo moderno, Timmy Turner. Timmy tem uma babá do mal no lugar da velha madrasta e pais estranhos no lugar das irmãs más. E um professor louco para inovar, além de uma galera de personagens não centrais. Timmy tem um casal de fadas madrinhas, Cosmo e Wanda, que são casados. Cosmo é burro que só ele e muito divertido. A trilha sonora é boa e deixo uma rap para divertir os leitores. A Wikipedia pode fazer o resto da apresentação agora:

http://pt.wikipedia.org/wiki/The_Fairly_OddParents

sábado, abril 19, 2008

Misturando

Em diálogo, parte real, parte inventado:

Em cada velha árvore, tem uma orquídea agarrada. Orquídea que lamenta e conta a história de chegadas e partidas. Fala das estrelas do céu em flores roxas, brancas, coloridas de saudades. Ninguém nota a orquídea que mais que todos carrega o silêncio e tantos gritos? A orquídea fica olhando tantas partidas, tantos vazios. Sempre presa. Sabe que as orquídeas são um desafio para os teóricos, no que diz respeito ao próprio conceito de espécie? Há muitas orquídeas. As orquídeas se misturam infinitamente quando postas em contato. As orquídeas podem misturar suas espécies e obter uma combinação quase infinita de novas formas e cores. Ninguém vê que a arte é mistura? Pode-se misturar como quiser, criando novas cores e idéias. Anna passou a vida fazendo seu revolucionário morto voltar à vida. Ele virou não pessoa por ordem e costume da ditadura russa. A orquídea mistura e tudo volta para a realidade em forma de mais e mais cores. Nada faz sentido? Que importa? As raízes das orquídeas podem perturbar um amante de plantas. Com umas formas que mais fazem lembrar algum aracnídeo e de uma cor esverdeada quando geralmente as raízes das plantas são brancas (sem cor). Não faz sentido ainda? Que importa?

“O que te escrevo não tem começo: é uma continuação. Das palavras deste canto que é meu e teu, evola-se um halo que transcende as frases, você sente? Minha experiência vem de que eu já consegui pintar o halo das coisas. O halo é mais importante que as coisas e as palavras. O halo é vertiginoso. Finco a palavra no vazio descampado: é uma palavra como fino bloco monolítico que projeta sombra. E é trombeta que anuncia.”

A arte é “a antevisão de poder um dia me largar e cair num abandono de qualquer lei. Elástica.”




“Ao pé da velha árvore o velho dormiu. Sonhava o velho e sonhava a árvore. O velho sonhava que era a árvore e a árvore que era o velho, quanto mais sonhavam, mais se confundiam as rugas do velho com aquelas da árvore. No sonho, o velho subia na árvore e a árvore descia no velho. As raízes se libertavam da terra e a árvore sentia que podia finalmente andar; andar na direçao do mar, que há séculos via sem nunca conseguir mergulhar. A árvore, acostumada ao doce sabor da chuva, queria saborear aquela água salgada que até o momento podia somente cheirar, nos raros momentos em que o vento lhe trazia um suave perfume. No entanto, o velho, sempre mais velho e com rugas sempre mais enrugadas, subia e subindo, podia ver pouco a pouco o vasto horizonte e longe via um velho que corria para a imensidão. Um velho que cantava e chorava porque finalmente poderia entender o sabor do mar. “Velho, não corre, que a imensidão te espera” – gritava o velho que sonhava ser a árvore. E por ser velha a árvore sonhada, se sentia o velho com direito de dar conselhos à árvore, que sonhava ser o velho que corria. “ Não é necessário correr”. A árvore já tinha esperado uma vida, uma longa vida de árvore, uma vida a ver passar a vida sempre e ininterruptamente deste preciso lugar no qual chegou, imaginem, como semente. E agora que sonhava ser o velho, que sonhava ser a árvore, podia finalmente ir embora. Imaginem a sua correria entre as outras árvores descendo da colina e depois pelos campos pisando os pés de milho! E imaginem se ela parasse para escutar o velho verdadeiro que ela, o velho no sonho, sonhava ser, quando o velho que sonhava ser ela, árvore sonhada, lhe gritava (o velho): “vai devagar velha, que não é dos velhos correr, depois te falta ar”. Mesmo com falta de ar, ela continua correndo. Suas pernas, de velho sonhado, não resistem mais e mesmo com seu coração resistindo ainda menos, ela continua correndo, agora na praia, e sabemos como é cansativo correr na areia. “Não corra velha, que a imensidão de qualquer maneira te espera e mais cedo ou mais tarde chega, sempre, viu? Você chegou”. Sim, porque o velho que sonhava ser a árvore, chegou e mergulhou na imensidão; mergulhou para entender de uma vez por todas o sabor do mar. Quando se desperta, a árvore, que em sonho tinha conhecido o sabor salgado, sente a sua velha pele esquentada pelo sol. Uma parte, no entanto, continuava fria, ali onde o pequeno corpo do velho, que já não mais sonhava ser árvore, mergulhava na imensidão.

Vozes que carregam as palavras

Que carregam também o silêncio

Ruídos, músicas, tantos gritos,

Carícias que batem no vazio.”



(Textos em aspas de Clarice Lispector e Norberto Presta)

sábado, abril 12, 2008

Faz um pouco de tempo que não escrevo nada aqui. Tenho pouco a dizer, nem existo. A Ju tá no hospital faz tempo com depressão e anorexia. O Dudu, eu nem vi mais, quase. Se falo, é pouco.

Raiz na terra. Olhar fotos faz chorar e rir. Aconchego triste. Fantasia, a paz que gosto de ter. Nem lembro mais nada, da mão sim. Me dá a mão de novo? Fico com saudade. Dai-me senhor a aurora, porque jamais poderei ver mais a luz da noite, do dia, luz. Verde, vermelho, vermelho. Virão as chuvas e tudo escorre embora. Saudade é de quem fica em mora.