quinta-feira, dezembro 20, 2007

craô

Um índio saiu para caçar; foi abeirando o mato. Escutou o rabo-de-couro (kreré, uma espécie de tatu) a cantar. Aproximou-se e ficou escutando, de longe, a cantiga. Chegou mais perto e estalou um galho de pau. O rabo-de-couro falou: "Eh, já enxerguei você; você não está escondido não; não tem por onde você se esconder." "Eh, já me enxergou, vou embora." E (o índio) foi embora. Quando chegou (à aldeia) contou para os outros: "Oh, mas acolá, fui chegando à beirada do mato e fui escutando a cantiga de um bicho; eta cantiga bonita! "E cantou para os outros e eles ficaram gostando da cantiga. Um outro falou: "Agora vamos nós dois, para nós ouvirmos de perto, porque, quando dá fé, você está mentindo." E foram. Já iam chegando e escutaram a cantiga. Foram indo devagar e ficaram de longe. Escutaram um bocado de cantiga(s), mas um pau estalou e o rabo-de- couro parou: "Eh, já te enxerguei, você não se esconde nada não!" "Eh, já nos exergou, nós não nos escondemos não." Voltaram (à aldeia). Chegaram e contaram. Agora foram três índios. Chegaram perto e aí diz-se que deitaram e ouviram até meio-dia e voltaram. Disseram para os outros. "Agora nós vamos todo mundo para ouvir". Foram um bocado de madrugada e se esconderam. O rabo- de-couro cantou até perto de quatro horas da tarde. O rabo-de-couro parou a cantiga e eles voltaram de novo. Aí combinaram na aldeia para matarem o bicho. Foram sem cavador, cavador de pau, não era de ferro não. Foram para flechar o bicho, mas não flecharam, porque morava dentro de um buraco. Voltaram sem matar. Foram então para matar e levaram o cavador de pau. Chegaram lá, quebraram a parede num ponto; quebraram em outro ponto; não acharam. Em outro ponto furaram e não acharam. Furaram outra vez e não acharam. O rabo-de-couro se mexeu no meio; furam e o encontraram. Espetaram-no com a ponta do arco e o mataram. Antes de aprenderem com o rabo-de-couro, os índios tinha outra cantiga: era feia mesmo. As cantigas do rabo-de-couro são as que se cantam na praça com o maracá, as que se cantam andando ou correndo pelo(s) caminho(s) da aldeia.

quarta-feira, dezembro 19, 2007

Voltando ao caso do estado líquido

Segundo o mesmo autor, ele pertence a uma época de estados sólidos quando se lutava por ideologias e convicções. Hoje, tudo é líquido. Oras, eu não vivi muito essa época sólida (ideologia? convicção? que é isso?), mas também não me vejo como ser do estado líquido (seria?). Acho que tem uma geração intermediária do limbo (de volta ao limbo!).

A questão é, sendo ou não do estado líquido, me comunico pela escrita. E não vivo se não escrever no blog, olhar o orkut, bater papo com todos no gmail (de preferência) ou msn, ou através de mensagens de celular. Bato papo pessoalmente também, mas acho que menos. Que coisa! A questão é que já me proibiram o orkut e agora o bate-papo do gmail.

Se tem uma convicção que eu tenho, achei! Odeio censura! Quero fazer o que gosto quando gosto. E quero me comunicar por escrito! É sólido o bastante para mim!

Quem viu, viu, e quem não viu perdeu cena histórica. A Filomena perdeu a compostura. Olha que eu sou bem calma, mas hoje gritei na minha sala, na informática e na direção. Que ódio!

Alguém mais do limbo a se manifestar? Bom, pelo menos meu gmail voltou... O orkut deve estar para sempre banido. Não vou inventar mentiras para usar. Fica apenas o ódio de proibições!




Palavras sem sentido
Lume que nunca se apaga.

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Estado líquido (Zygmunt Bauman)

"hoy no existe la certeza ni la urgencia de cambiar el mundo, la realidad es una constante en la que el tiempo se dilata, el tiempo es un mar en el que se fluctúa en aparente libertad y con la angustia de no saber donde nos lleva la corriente. Parece que finalmente la determinación de la historia quedó en nuestras manos, solo que no sabemos que hacer con esto."

Norberto Presta

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Sigo sem caminho

Vou atravessar o deserto
Imensidão e silêncio.
Vasto vento
Vasta chama.

Só penso na viagem.

Querer e não poder.
Saber que o tempo passa, sentir o tempo, degustar, cheirar
o tempo. Tocar o tempo.
O tempo todo.
Receber ele e deixar ele ir.
Amar o tempo. Deitar com ele. Acordar e ele ter partido..
Só se durante, o sono, ter sonhado com ele.


Carolina Laranjeira

ARRAIAL DO CABO



Minha viagem já está concreta 99% (deixa um tiquinho pro meu azar de fim de ano, sai fora coisa do mal!). Arraial do Cabo de 26 de dezembro a 3 de janeiro. Ieiii!!

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terça-feira, dezembro 18, 2007

Ode indígena a Plêiades

Ref. Mito de Nibetadi

Sete estrelas do céu nas noites de inverno.
Sete estrelas da terra nas noites de verão
Faço coro convosco, Marias
Ao ver-vos assim sozinhas
Sempre sonhando em luz mais um pouquinho
Porque de quatro um gemido fica ainda mais alto
Sete estrelas distantes, meu amor
Vem possuir a Terra,
no chão, no colchão, no pão.
Toda noite eu chorei desesperadamente
Ah, se tu viesses me ver na boca da noite...
Três Marias, cadê Nibetadi?
Sete estrelas do céu nas noites de inverno.
Sete estrelas da terra nas noites de verão
Marias das almas, alma doente
Em Marias somamos muitas
Cindidas em dor, nada suavemente...
Embora sete estrelas foram, em mito, gente
Sete estrelas da terra nas noites de verão
Ninguém pode ser mais parvas do que nós!
Pois estrelas não sentem
E em mim, Nibetadi não mora.
Sete estrelas do céu, constelação.

sábado, dezembro 15, 2007

Eu vou implorar de joelho no milho...

quarta-feira, dezembro 12, 2007

Tiempo

"Algunos árboles cuando son cortados transversalmente, dejan ver una superficie de círculos concéntricos que revelan su edad, se ve el paso del tiempo en el tronco - cuerpo de la planta. La estaciones van dejando una memoria en forma de anillos que nos hablan de inviernos más o menos largos, de veranos más o menos calientes, revelan cuando el árbol sufrió más o cuando creció mejor. Esos anillos son la historia del árbol e indagando con mayor profundidad revelan también sus vivencias; esas marcas particulares que crean nudos, crean una concentración de materia que modifica los círculos sucesivos.
En el cuerpo humano seguramente es mejor no hacer un corte transversal para descubrir su historia.
(...)
El tiempo pasó por nuestros cuerpos de modo diferente, no solo por el factor biológico y las consecuentes modificaciones que ello causa en nosotros, también por que el tiempo y los eventos que acontecieron en ese tiempo, dejaron una memoria en que nos hace reaccionar, opinar de modo distinto. El Zeitgeist o sea, el espíritu del tiempo en el que coexistimos, y la visión, el modo de relacionarmos con este tiempo; nuestro Weltanschuung o sea, nuestra imagen del mundo, no son del todo coincidentes."

Norberto, para o núcleo Fuga!
Minha emoção e minha razão estão tão desconectadas. O Norberto foi uma ponte. Embora não tenha visto nenhuma das peças. Saudades. Até breve.

http://www.viarosse.com/download/sch_beniamino.pdf

Do desejo

Ou tenta-me de novo. Obriga-me.

Hilda Hilst

(para ninguém que aparece aqui nomeado, que fique claro!)

Plano de férias

O plano é seguir com Marcello e Fred para o Arraial do Cabo, levando apenas rede pra dormir na praia. Vamos ver se rola mesmo, heim Marcello! Já furou a Ilha Bela de bicicleta.

Agile esteve presente. Muahahahaha



Tradicional festa da Eva de fim de ano, com presença de DJs. Foi massa! E Agile (o espírito do copo)esteve presente!!

Já ouviram falar de fantasmas em fotos? Pois, notem a figura em branco do lado direito da foto.

tchau Gustavo!


Deixa saudades! Vou te procurar no Bar do Zé :). Brigada pelos porres e narcóticos! Desculpa por não beber até o fim da noite da última noite. Tinha mais uma despedida. Fiquei em dúvida, pois saiba.

domingo, dezembro 09, 2007

Aprender a permanecer no relento do incomensurável, sem o chão apaziguador por debaixo, como os trapezistas mais atrevidos de nossa infância e juventude na hora exata do vôo intervalar entre um trapézio e outro...jogar-se em um salto mortal que vira o mundo, velozmente, de pernas para o ar, e nós com ele. Perdendo a proteção que encontramos em nossa subjetividade e nas amarras que inventamos para o mundo, o salto mortal sobre nós mesmos e sobre tudo o que está previamente ordenado é um dos primeiros atos do encontro do poético ou literário com o filosófico, por meio do qual vida se mostra em sua íntima estranheza vivificadora....

A. Pucheu

quarta-feira, dezembro 05, 2007

Ver bem?

O Dudu pode não ver bem as cores, mas pode ver bem demais outras coisas dados seus 5 anos. Ele disse: "eu não entendo como as pessoas acreditam em papai noel, mentira que os adultos fazem. Quem vai acreditar numa pessoa fantasiada, de barba de pelúcia (se fossem pelos pelo menos!) e carregando brinquedo num saco de lixo? Que absurdo! Não seja mentirosa e conte a verdade, mamãe, não gosto de ser enganado!
E sobre as coisas de natal, falou que não entende, pois tudo tem neve e casacos com este baita calorão. "Parece que pensam todo mundo mora nos Estados Unidos!"

segunda-feira, dezembro 03, 2007


O Dudu é daltônico!!

sábado, dezembro 01, 2007

Palavras diferentes

IPORO-EU MORDO
IRI E DEDO-CEGO
DOCOBOCO-TAIS PACA
LER COMATO-CASO
AQUE-MEU PEITO
IMARARA-MEU QUEIXO
ITÓRA-EU CHORO
IRAGUDO-EU DISSE
IRE ESTAUDO-EU SONHEI
INIAURE-BOCA
CUTO-TERRA
MOTO-ROSTO
IE-ROSTO
IETHE-PAI TAÍ? CHEGA MAIS PERTO
AUEPIRE-FUI
BUIACO-FUI
BIACO-MEU MARIDO
BITOLHELHO-GELO
BOBO IR EU-DEDO
TATA-MAÇÃ DO ROSTO
IO AGORACOGO-EU DEI RISADA
ITOROGOTO-ESTOU PROCURANDO
IEMARUERI-LEITE
ICHE-LUGAR
IBURE TATAL-EU CATEI
IGOTO-REPAREM
PEBARRO- LOCO!

Julia Porto, homenagem ao trabalho de lingüista :)

Muahaha!

Pois é, um vírus me tirou do orkut, ou pelo menos eu não posso mais entrar lá. Parece que o único ato patológico dele é impedir que eu entre lá. Patológico mesmo...

Se tento entrar no orkut, vem uma mensagem assim:

Orkut is banned. Muahaha!

:)

Bom, quem receber mensagem minha pelo orkut, cuidado, é ELE!