quinta-feira, fevereiro 23, 2006

The Stones

Eu fui! Trago pulseira de prova.
E foi muito legal ter ido.
Para ver uma multidão de um milhão de pessoas, foi emocionante. Tinha gente na praia (muita gente), nas ruas, nas janelas dos prédios, em cima dos prédios, na água, nos barcos...
Tudo começou porque eu queria ver o U2, mas o Rodrigo não conseguiu ingresso. E ele fez a contra-proposta de Rolling Stones. Que mega-idéia. À princípio tinha um pouco de medo de tumulto e de arrastão. Mas foi tudo super tranqüilo.
Viajamos na madrugada de quinta para sexta; eu, Rodrigo, Eva, Andresa e Jaqueline F. De super meriva preta. Chegamos na praia ao meio-dia do sábado. A Jaqueline desistiu! Foi até o Rio e não foi!! Que amarelada incrível.
Foi legal ver a praia ficar cada vez mais cheia. Primeiro as comunidades hippies (nem sabia que tinha ainda comunidades hippies). Primeiros porque já estavam dormindo lá e vendendo todo tipo de coisinhas, calçadão tomado em mistura completa com todo tipo de camelôs. . Tive a oportunidade de trabalho de campo para entender como vivem os hippies, em entrevista exclusiva. Depois muitos estrangeiros. Depois os motoqueiros uniformizados de roupas de metaleiro. E finalmente muita gente de todo tipo, milhares chegando e se espremendo nas sombrinhas que restavam, gente que já estava viajando há vários dias. Cadê as favelas cariocas? Senti falta. Pouca gente e não sei o porquê.
Adorei o show dos Titãs que teve antes. Polícia para quem precisa de polícia.
Pegamos um bom lugar, dava para ver o telão do palco. Mas o palco não. Muitas gente alta e faixas e bandeiras na frente. Só deu pra ver mesmo quando o Rodrigo me ergueu nos ombros. Que emoção. Que energia e que calor!Foi tão emocionante ver no telão cenas da histáoria dos Stones desde antes de eu ter nascido, outras cenas que lembram vagamente da minha infância. E eu fui crescendo vendo as cenas. Gostei muito de ter podido ver o último show de uma das principais bancas que marcam a história do rock e de minha própria história. É para não esquecer.

quarta-feira, fevereiro 15, 2006

Discurso...Discurso...Discurso... Aos formandos 2005

Meu discurso não é um discurso. Meras palavras de carinho.

Queria lembrar com Rubem Alves que:


“Todo jardim começa com um sonho de amor. Antes que qualquer árvore seja plantada ou qualquer lago seja construído é preciso que as árvores e os lagos tenham nascido dentro da alma. Quem não tem jardins por dentro não planta jardins por fora. E nem passeia por eles... Andar pelo campus é recuperar a memória, tomar consciência da única coisa que importa. O mais - ensino, pesquisa, invenções, descobertas - só tem sentido como ferramentas para o plantio e o cultivo do jardim. Mas muita gente aprende tudo sobre pás, enxadas, picaretas e esterco sem nunca chegar a sonhar com o jardim, que é a única finalidade de tudo isto. Brecht dizia que a única finalidade da Ciência é aliviar o sofrimento da existência. Acho que podemos ser um pouco mais otimistas: é criar também a possibilidade de prazer. A própria prática da Ciência pode ser também uma experiência de alegria. Uma das árvores do Paraíso era a árvore do conhecimento - cheia de fascínios...”

Brecht diz que a ciência alivia o sofrimento da existência.
Mas eu acho que a amizade alivia mais. Todo jardim começa com um sonho de amizade.
Quero dizer que estou muito feliz em ser paraninfa desta turma. Porque aqui não encontro apenas alunos, isto é, pessoas que ensinei (ou penso que ensinei), mas amigos.
E ainda mais que amigos. São meus próprios professores.
Eu também me formo com vocês. Vocês em lingüística, e eu em professora.
Eu aprendi com minhas cobaias a ser professora e orientadora: vocês.
Esta é minha primeira turma depois de formada. Assim, eu espero ter podido ensinar algo, mas com certeza vocês me ensinaram muito. Aprendi dar aulas com minhas cobaias, aprendi orientar com vocês.
Bastante emocionada, além de agradecer a amizade e a aprendizagem, só posso pedir uma última coisa, nas palavras de Ferreira Gullar. Que vocês pensem sobre as palavras de Gullar nos anos pós-formatura e na vida enquanto profissionais. E principalmente nesta hora de despedida da graduação e, para alguns pelo menos, da UNICAMP. Pensem sempre no seguinte na batalha de realizar um sonho da vida de vocês, o jardim de vocês, que foi o que me guiou na batalha de realizar o meu próprio sonho:

"Que a força do medo que eu tenho, não me impeça de ver o que anseio. Que a morte de tudo o que acredito não me tape os ouvidos e a boca. Porque metade de mim é o que eu grito, mas a outra metade é silêncio...Que a música que eu ouço ao longe, seja linda, ainda que triste...Porque metade de mim é partida,mas a outra metade é saudade. Que as palavras que eu falo não sejam ouvidas como prece e nem repetidas com fervor, apenas respeitadas, como a única coisa que restaa uma pessoa inundada de sentimentos. Porque metade de mim é o que ouço, mas a outra metade é o que calo. Que essa minha vontade de ir embora se transforme na calma e na paz que eu mereço. E que essa tensão que me corrói por dentro seja um dia recompensada. Porque metade de mim é o que eu penso, mas a outra metade é um vulcão. Que o medo da solidão se afaste e que o convívio comigo mesmo se torne ao menos suportável. Que o espelho reflita em meu rosto, um doce sorriso, que me lembro ter dado na infância. Porque metade de mim é a lembrança do que fui, a outra metade eu não sei. Que não seja precisomais do que uma simples alegria para me fazer aquietar o espírito. E que o teu silêncio me fale cada vez mais. Porque metade de mim é abrigo, mas a outra metade é cansaço. Que a arte nos aponte uma resposta, mesmo que ela não saiba. E que ninguém a tente complicar porque é preciso simplicidade para fazê-la florescer. Porque metade de mim é platéiae a outra metade é canção. E que a minha loucura seja perdoada. Porque metade de mim é amor, e a outra metade...também.

terça-feira, fevereiro 14, 2006

IEEIII

Pronta pros Rolling Stones!!!

sexta-feira, fevereiro 10, 2006

): ): ):

Não era o que eu queria dizer de verdade. Não me sobrou opção. Senti tanta saudades... Porra de vida.

quinta-feira, fevereiro 09, 2006

Brokeback Mountain

Hoje eu o Ro fomos assistir Brokeback Montain. Que lindo! Queria ter um sentimento destes por uma vida. Essas coisas acontecem sem que a gente queira. Simplesmente. Não tive o amor de uma vida inteira. Mas ainda dá para dizer com Adélia Prado sobre um certo amor calado :

Divago, quando o que quero é só dizer te amo. Teço as curvas, as mistas e as quebradas, industriosa como abelha, alegrinha como florinha amarela, desejando as finuras, violoncelo, violino, menestrele fazendo o que sei, o ouvido no teu peito pra escutar o que bate. Eu te amo, homem, amo o teu coração, o que é, a carne de que é feito, amo sua matéria, fauna e flora, seu poder de perecer, as aparas de tuas unhas perdidas nas casas que habitamos, os fios de tua barba. Esmero. Pego tua mão, me afasto, viajo pra ter saudade, me calo, falo em latim pra requintar meu gosto: “Dize-me, ó amado da minha alma, onde apascentas o teu gado, onde repousas ao meio-dia, para que eu não ande vagueando atrás dos rebanhos de teus companheiros”. Aprendo. Te aprendo, homem. O que a memória ama fica eterno. Te amo com a memória, imperecível.

quarta-feira, fevereiro 01, 2006

"Saudade é um pouco como fome"