segunda-feira, dezembro 22, 2008

“Melhor ser dois do que um, porque têm melhor paga do seu trabalho. Porque, se um cair, o outro levanta o seu companheiro; mas ai do que estiver só; pois, caindo, não haverá outro que o levante. Também, se dois dormirem juntos, eles se aquentarão; mas um só, como se aquentará?”

Algumas igrejas evangélicas permitiram o casamento homossexual e o texto bíblico acima foi lido em um casamento de igreja que ocorreu em 2007, um dos primeiros segundo notícias de jornal.

O casamento foi entre homens.

No mundo hetero feminino, ouve-se que a mulher deve ser mais jovem, deve ser menos profissionalmente, deve ser fértil e ter filhos.

Nunca gostei de igreja, mas hoje quero citar o evangelho de São Paulo: “O amor cobre a multidão de pecados”. Deve ser o natal o responsável por tal religiosidade. Eu quero aproveitar o natal para fazer votos de sexo verdadeiro. Meus votos são de liberdade, transparência e sinceridade para os anos novos que um dia entrarão. Ou seja, de amor.

Arte ainda...

Continuo pensando naquilo que eu disse outro dia: arte é a forma física daquilo que existe pré-linguagem.

Penso que aquilo que a gente considera arte é aquilo que já tomou forma. Mas o cerne da arte é o desejo anterior à forma. E encontrei hoje um poema de Adélia Prado que eu interpreto como sendo algo nesta direção: ela fala justamente da coisa que existe antes de ter nome:



Antes do Nome (Adélia Prado)

Não me importa a palavra, esta corriqueira.

Quero é o esplêndido caos de onde emerge a sintaxe, os sítios escuros onde nasce o "de", o "aliás", o "o", o "porém" e o "que", esta incompreensível muleta que me apóia.

Quem entender a linguagem entende Deus cujo Filho é Verbo. Morre quem entender.

A palavra é disfarce de uma coisa mais grave, surda-muda, foi inventada para ser calada.

Em momentos de graça, infreqüentíssimos, se poderá apanhá-la: um peixe vivo com a mão.

Puro susto e terror.



Essa coisa sem nome, surda-muda, é o esplêndido caos. É o cerne. Ela nomeia esta coisa de linguagem? Eu tentava falar anteriomente que a arte é algo anterior à linguagem. Mas dá para notar que também é assim para ela, porque o conceito dela de linguagem é diferente àquele de sistema/forma. Sistema simbólico é palavra para ela. Ou ainda Verbo, o filho. Ela ainda diz que a palavra é o disfarce, que entendo como a performance do desejo primitivo, este último, segundo ela, é surdo-mudo e é mais grave.

O que é esse desejo grave, afinal?

Bom, ela já disse que se entender, entende Deus. E quem entender, morre.

Tem uma entrevista da Adélia que ela diz que escrever um livro é esquecer a existência da morte.

sexta-feira, dezembro 12, 2008

É como o sal: a gente não o vê na comida, mas dá o gosto daquilo que traz o sustento para seguir a vida.
Há doenças piores que as doenças,
Há dores que não doem, nem na alma
Mas que são dolorosas mais que as outras.
Há angústias sonhadas mais reais
Que as que a vida nos traz, há sensações
Sentidas só com imaginá-las
Que são mais nossas do que a própria vida.
Há tanta cousa que, sem existir,
Existe, existe demoradamente,
E demoradamente é nossa e nós...
Por sobre o verde turvo do amplo rio
Os circunflexos brancos das gaivotas...
Por sobre a alma o adejar inútil
Do que não foi, nem pôde ser, e é tudo.

Dá-me mais vinho, porque a vida é nada.



Fernando Pessoa

sábado, dezembro 06, 2008

Olinda