terça-feira, novembro 29, 2005

(de)construção de identidade

Darcy Ribeiro afirma que as transformações ocorridas em uma dada sociedade se refletem nos mitos. Em outras palavras, podemos ver mudanças sociais ocorridas transformarem a construção de uma identidade. Este fenômeno pode ser observado com muita clareza no mito de origem kadiwéu. A primeira versão deste mito é coletada em 1795. Segundo esta versão, Deus criou os kadiwéus depois de todas as raças e como nada sobrasse para eles, como compensação, ordenou que fossem nômades e andassem sempre errantes sobre o território alheio, fizessem sem cessar a guerra a todas as outras nações, matassem todos os machos e adultos e adotassem as crianças e as mulheres para aumentar seu número. Deus ordenou que dominassem. Em 1947, quando Ribeiro coletou o mesmo mito, eles eram humildes e pobres caçadores nômades por vontade de Deus. Vejam o final do mesmo mito que coletei agora: de dominadores por vontade de Deus passaram a um povo inferior por castigo de Deus


Oda jonaGa idaGee idi ica aneyate ononitekibeke oko
E foi assim que Deus deu jeito em cada pessoa

pida diGiwini anoko ejiwajegi moko otimadaGe
Mas os teimosos kadiwéus

oda jonaGa igotibeke aniGica
Ficaram sem direção

Ica ane diitikogi joGoyotimade ikoa AneotedoGoji
E não obedeceram a Deus

naGa eno AneotedoGoji maaGaleGika ejiwajegi
quando Deus chegou não estavam mais lá.

Oda jonaGa iço
Então ele os amaldiçoou

one AneotedoGoji idokaneGenitiwaji aqaami iwiiadi aqaami alatiqegipe
e Deus ordenou que ficassem nômades

ina ekalaye boGoye etogowayo domojya aniginoa eletidi nimakinatedi
Os brancos fazem aviões, carros e máquinas

anedaGa yaqadi meyowe ika noiqegi
que não podem fazer estes índios

initibake didiqo aniginoa ikoa licaqetedi
Alguns estudam e têm sabedoria

ina noiqa ayowooGodi idoqa yowooGo me dawi me igotigi lewoGa
Estes índios não sabem nada, exceto caçar e andar na mata

LeeGodi jodaGaGa idaGida anaaGa yajigota AneotedoGoji
Porque assim Deus o fez.

Gigi, Ângela, Tainá e Alexandre, e quem mais vier...

“Mistura”, de Carlos Donisete de Oliveira

Maomé, Cristo, Brahma, Iemanjá, Buda, Tupã, Darwin e Marx entraram em conferência. E Freud afirmou que se tratava, das múltiplas personalidades de Deus.
Não se esclareceu nada,ficou quase tudo pardo.
Até que Darcy Ribeiro baixou num Pai de Santo e gritou:_ Tá tudo misturado !

sexta-feira, novembro 25, 2005

"Quando eu entrei era como se fosse um banco normal ou em pé."

domingo, novembro 20, 2005

"Nunca mais repousarei porque roubei o cavalo de caçada de um Rei. Eu sou agora pior do que eu mesma! Nunca mais repousarei: roubei o cavalo de caçada do Rei no enfeitiçado Sabath. Se adormeço um instante, o eco de um relincho me desperta. E é inútil tentar não ir. No escuro da noite o resfolegar me arrepia. Finjo que durmo mas no silêncio o ginete respira. Todos os dias será a mesma coisa: já ao entardecer começo a ficar melancólica e pensativa. Sei que o primeiro tambor na montanha do mal fará a noite, sei que o terceiro já me terá envolvido na sua trovoada. E no quinto tambor, já estarei com minha cobiça de cavalo fantasma. Até que de madrugada, aos últimos tambores levíssimos, me encontrarei sem saber como junto a um regato fresco, sem jamais saber o que fiz, ao lado da enorme cansada cabeça de cavalo."

sábado, novembro 19, 2005

Philomela

Aprendi algo legal no site do IEL, trabalhos de alunos. O mito grego de Philomela/Philomena (por assimilação da nasal). A Philomela transou com o cunhado, coisa absolutamente condenável. Com medo que ela contasse, o homem cortou a língua dela. Mas ela acabou revelando tudo através da arte. No final os deuses transformam Philomela em rouxinol.
Deste mito, o rouxinol passou a ser chamado na poesia de "philomela". Conta a lenda do rouxinol que estes pássaros desafiam um ao outro para produzir o canto mais bonito: aquele que perde, cai morto do galho. Assim, para os poetas, o rouxinol passou a ser símbolo do amor, mas apresenta um íntimo laço entre o amor e a morte. Um bom exemplo se encontra na cena 5 do 3º ato da obra de William Shakespeare, Romeu e Julieta, em que os amantes na noite que finda ouvem o canto de um pássaro que, caso seja a cotovia, anuncia a separação deles e que continuarão vivos; porém, se for o canto do rouxinol, eles ficarão juntos e morrerão por esse amor.
A expressão pássaro de seda com cheiro de jasmim (Gilberto Gil) é uma reminiscência da idéia medieval que associava o rouxinol ao mundo onírico do amor cortês.

"Joguei no céu o meu anzol / Pra pescar o Sol / Mas tudo que eu pesquei / Foi um rouxinol / Foi um rouxinol / Levei-o para casa / Tratei da sua asa / Ele ficou bom / Fez até um som / Ling, ling, leng / Ling, ling, leng ling / Cantando um rock com um toque diferente / Dizendo que era um rock do Oriente pra mim / Depois foi embora / Na boca da aurora / Pássaro de seda / Com cheiro de jasmim / Cheiro de jasmim."

Gilberto Gil.

Acho que cabe aqui, agora, um Monólogo da philomela (i.e. do rouxinol). Não é? Mas sem língua?

Falando nisso, o Monólogo da Cigarra foi para o meu perfil do orkut, temporariamente, a pedido do Renato, que acha que tenho uma veia litarária :).

quinta-feira, novembro 17, 2005

Falência

Fudeu o carro. Melhor seria poder andar só à pé. Bem que as cartas da Gigi me disseram sobre grande perda de dinheiro... Infelizmente, ela nunca erra.

Férias virão

Tem aquarela nas pontas de meus dedos
a sonhar com tardes de dezembro

sábado, novembro 12, 2005

Eram as cores fortes
Eram as gotas de suor de resina
Eram os caminhos num ir lento
Era o livre e luminoso sentimento

E eis-me vestida agora de sol e de silêncio?

sexta-feira, novembro 11, 2005

Então...

Sinto informar que o Genellas, mesmo com equipe parcial, atuou novamente. O grupo formado apenas por duas titulares e um membro honorário passou dos limites dos fora doras. Mas cumprimos o contrato de entrar às 10 e sair às 2h. A festa tava miada, nem havia uma, na verdade... Festão, rolou tudo, com e sem stress clash.

quarta-feira, novembro 09, 2005

Ondas do mar de Vigo,
se vistes meu amigo!
E ai Deus, se verrá cedo!

Ondas do mar levado,
se vistes meu amado!
E ai Deus, se verrá cedo!

Se vistes meu amigo,
o por que eu sospiro!
E ai Deus, se verrá cedo!

Se vistes meu amado,
por que hei gran cuidado!
E ai Deus, se verrá cedo!

Ouvir a melodia em http://www.cervantesvirtual.com/servlet/SirveObras?portal=65&Ref=10922&audio=0

de um certo Caetano

Súbito estado de tranquilidade: o silêncio no olho do furacão - onde não venta, onde as coisas expõem o que lhes cabe de eternidade. Tudo parece morto, tudo parece estranhamente vivo. Tudo quieto como numa natureza morta de van Gogh. Amor, sexo, perversão, desejo, destino: "Onde esta a alma?", pergunta o corpo atormentado. O que é a alma? A alma existe ou é efeito de um intelecto muito fértil que a inventa para nomear suas angústias e paixões sempre inexplicáveis? Não sabe. Agora, no olho do furacão, diria que sim, que existe a alma - e achando muito pouco dizer isto, imagina o corpo como um filtro de uma energia muito forte (a vida?) que por ele se depura - e perdura. Talvez viver seja ir inventando uma alma - ou da alma ir se inventando neste corpo, consciências que aderem à vida para mantê-la...

Comunicado ao Genellas

Caros,

Venho por meio desta publicar uma mandiga gentilmente ofertada para o Genellas por Juanito. Infelizmente não parece ser muito útil, mas aqui vai

Objetivo: revelação do amor de sua vida

Em noite de lua cheia, pega-se um fação, procura-se uma bananeira. Enfia o facão na bananeira. No dia seguinte, a letra do nome do amor de sua vida vai aparecer no facão.

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Ora, como não há apenas um amor da vida, ou a lista fica enorme ou revela-se apenas o atual. Mas quem não sabe o nome de quem gosta? Quanto trabalho para tão pouca informação, Juan!!!!

terça-feira, novembro 08, 2005

Monólogo da cigarra, epílogo

"Desenrolei de dentro do tempo a minha canção:
não tenho inveja às cigarras; também vou morrer de cantar.”

Canção quase inquieta

De um lado, a eterna estrela,
e do outro a vaga incerta,

meu pé dançando pela
extremidade da espuma,
e meu cabelo por uma
planície de luz deserta.

Sempre assim:
de um lado, estandartes do vento...
- do outro, sepulcros fechados.
E eu me partindo, dentro de mim,
para estar no mesmo momento
de ambos os lados.

Se existe a tua Figura,
se és o Sentido do Mundo,
deixo-me, fujo por ti,
nunca mais quero ser minha!

(Mas, neste espelho, no fundo
desta fria luz marinha,
como dois baços peixes,
nadam meus olhos à minha procura...

Ando contigo - e sozinha.
Vivo longe - e acham-me aqui...)

Fazedor da minha vida,
não me deixes!
Entende a minha canção!

Tem pena do meu murmúrio,
reúne-me em tua mão!

Que eu sou gota de mercúrio,
dividida,
desmanchada pelo chão...

Cecília Meireles