domingo, novembro 30, 2008

Há pelo menos três significados de gramática. O primeiro e mais banal é um conjunto de normas do bem dizer. Este significado simplesmente não nos interessa. O segundo é de sistema, ou conjunto de símbolos em um conjunto fechado. Embora interessante como ferramenta de descrição, também não nos interessa aqui. Há um terceiro significado de gramática que pode ser entendido como o conjunto de princípios lógicos e inatos que caracterizam a linguagem humana. Algo próprio do ser humano unicamente e, segundo Noam Chomsky, o estudo destes princípios lógicos pode revelar a natureza da linguagem humana em contraste com quaisquer outros sistemas de lógica/linguagem não humana. Este é o conceito que nos interessa aqui. Como surgiu a linguagem? Como surgiu a arte? Eu hipotetizo que antes de haver Homo Sapiens caracterizado por linguagem, surgiu a necessidade da arte. O que surgiu foi a necessidade de extravasar e assim acalentar a alma através daquele desejo posto para fora. Este desejo primário humano fez o cérebro crescer e apareceu a língua, forma lógica da expressão. A linguagem/língua/gramática passa a ser usada também na arte, mas ela é secundária a ela. Mera especulação, verdade, mas que faz sentido ao entender o que faz o artista fazer arte: a fome, o desejo que quer expressão. A questão é que duvido que arte possa ser caracterizada por linguagem, ou seja, gramática, ou mesmo entendida através de linguagem. Ao se fazer arte, linguagem é obviamente articulada, mas o gatilho é a necessidade da expressão primitiva que ainda pode ser encontrada no ser humano atual. Não é a lógica da linguagem. Assim, “na arte é difícil dizer algo tão bom quanto: nada dizer” (Wittgenstein), pois dizer é meramente língua. A arte não é do campo da lógica do dizer, da língua. Assim, o não dizer é melhor. Tem que carregar o sentido naquilo que não foi de fato dito. Embora eu creia que o estudo de linguagem não possa ser usado aqui como ferramenta de entendimento de arte, há um conceito deste quadro teórico que eu gostaria de empregar. O conceito de lacuna. Pensa-se no quadro chomskyano que para entender a natureza humana é necessário procurar a lacuna reveladora. A arte diz muito mais que foi logicamente articulado. É a forma física daquilo que existe pré-linguagem. E, assim, esta forma, naquilo que não foi muitas vezes de fato articulado ou expressado, alcança atemporalmente o seu destino de acalento ou, às vezes, de catarse. E a lacuna, aquele sentido a mais (bem como o seu desejo inicial), que carrega a arte pode revelar a natureza humana original e primária. Há o desejo que busca a forma lingüística, e não o contrário.

Corpo Seco




Estávamos seguindo a serenata ao lado das rabecas colina abaixo. Quando vi dançando no pé da colina a encarnação do ser mais feio que a desnutrição poderia criar. Seria mulher mesmo? Ou a saia era apenas o que tinha para se cobrir? Teria quantos anos? Pareciam muitos, mas a agilidade e os cabelos pretos opacos revelavam o contrário. Carne não havia em nada, nem seios de tão seco o corpo, apenas feridas. Altura também não. Nem dentes e sem um olho. Não é bom saber quantos anos de tristeza e fome já se foram. Eu me horrorizei. Era difícil reconhecer um ser humano.

A serenata continuou. De repente, fui agarrada por de trás e disse: "Rodrigo me larga!" Mas quando desci os olhos para pegar as mãos e soltá-las eram ossos pretos e enferidados.

Eu não podia encostar as minhas mãos e o corpo estava colado ao meu. Eu me virei tentando escapar. A voz era de mulher e dizia: "tu é gostosa, deixar eu sentir." Escapei. Ficamos de frente e ela disse “minha luz, Deus te abençoe, tão linda e gostosa, benvinda a Olinda iluminando meu dia e minha noite. Eu agradeço poder ver tua luz. Moço, diga a ela sempre como ela é gostosa."

“Esta raiva que no fundo há em mim, uma espécie de raiva às vezes incontida, é porque nós não merecemos a vida. Não a merecemos.”

Feridas da luz.

Patrulha fashion Verão 2008/2009


A tendência deste verão reza que a bolsa deve combinar com a panturrilha.

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quinta-feira, novembro 20, 2008

Apagou-se o mundo

Eu falei de tudo sem cor. Mas é pouco. A questão é que eu não tenho palavras ou modo de expressar a escuridão na qual me encontro. Toda palavra contrária são meras tentativas de ver.

Palavras bonitas que pudessem ao menos acalentar a alma em sua expressão colorida. É preciso ver para escrever. Nem isso.

Vou tentar, então, ver se encontro o seu som. Nos meus olhos falta sua luz.

segunda-feira, novembro 17, 2008

Acho que vale mais a vida bem vivida, cada momento especial em sua história.

Contradição?

Talvez não, antes o sonho que a vida sem graça. Mas tem a vida bem vivida e o grande sorriso que ela acarreta.

domingo, novembro 09, 2008

Mais vale um sonho que uma realidade sem graça.

quarta-feira, novembro 05, 2008

Como diz o Andrew, GObama!

domingo, novembro 02, 2008

Arte e nada a dizer

O João fez a proposta de discussão da seguinte frase:

"Na arte é difícil dizer algo tão bom quanto: nada dizer"
Wittgenstein

Duas coisas que me vieram como sentimento, não como razão, foram acalento e lacuna. Um amigo meu desenvolveu estas idéias (não com base nas palavras que me ocorreram, mas da própria frase) através de seguinte raciocínio abaixo. Combina com meus sentimentos a respeito. Na arte, como na gramática e na vida humana, o mais revelador é a lacuna.

Arte deve ser simples e concisa, mas de uma simplicidade e concisão que atingem de algum modo muitos. Assim, o dizer nada, o silêncio, é a arte. Talvez aquela nota faltante na música no lugar certo é o que faz aquela música ser Arte. É o nada que faz a diferença, que diz muito.
Tem sorriso que causa lágrimas. Lágrimas boas, entretanto, da saudade que invade.

sábado, novembro 01, 2008


Tenho ficado muito introspectiva com cara de sono. Bem fechada e sem muito ânimo. Os dias passam em boa companhia: família e amigos mais chegados.

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