Por agora, melhor beber.
terça-feira, janeiro 22, 2008
Hoje acabamos de fazer os exames para a cirurgia. Segunda saberemos quando será. Quem sabe ainda na próxima semana...
Por agora, melhor beber.
Por agora, melhor beber.
segunda-feira, janeiro 21, 2008
Pirahã regressa...
Bom, agora todo mundo pode, pelo menos, ouvir pirahã e ver fotos da aldeia. Mas seria esta uma prova de que não há recursividade?
A questão é que eu entendo bem pouco da língua. Sei que mege kaobee é caiu no chão. Mege é chão e kaobee é cair. Tem uma seqüência de som antes e uma depois de mege kaobee. Esperaríamos que o homem falasse o homem que matou o gato caiu no chão. Será que ele teria mesmo dito algo como O gato. O homem caiu no chão.? Bom, a questão é que o video não apresenta uma tradução palavra por palavra com análise morfológica. Todo mundo aprende que tem que fazer isso em qualquer aula sobre documentação de línguas.
quarta-feira, janeiro 16, 2008
Falácia e fato digno de nota
Um filósofo que não lembro o nome disse que um fato existe de acordo com sua memória (ou disse algo que entendi deste modo). Assim, um fato não é puntual, ele existe enquanto existe a memória dele. Daí fiquei pensando nos fatos dos loucos, fatos sem existência no mundo do chamado real dos não-considerados-loucos. Têm uma memória, a memória dos loucos. Isto é, mesmo que não tenha ocorrido nada, os loucos têm uma memória de fatos inventados e acreditam nele. Ora, se há memória, segundo o raciocínio da memória como fato, existe, portanto, o fato. Fiquei ainda pensando na existência de palavras como fato. Acho que poderiam ser ponderadas pelo impacto no interlocutor, da memória deles de tais palavras. Chego, assim, às palavras de blogs. Não têm interlocutor. Não existem, portanto.
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Mas gostaria de registrar um fato digno de ser fato, isto é, digno de memória eterna de palavras recebidas e apreciadas e bem impactadas. Na verdade, esse blog até já registrou o fato (abril de 2007), mas com menor impacto; menor existência, portanto. Virei musa de uma música. A música já foi aqui publicada, mas eu não sabia que a música ganhou o nome de Filomena (essa mesmo que escreve). Fato que o nome era meio óbvio, mas eu não sabia e assim não existia, uma vez que não estava na minha memória o nome porque eu não sabia de fato.
Filomena
Filomena nena nenaná
Filó
Fulô de campo
Caiapó
Na cidade dos meus sonhos
Sua
O bosque mata tropical
Sobre a Ponte Preta cresce
A lua
Barão Geraldo em geral
É onde eu vou
Pra encontrar
Essa mãe negra
E falar
Como esse povo bom
Me ensinou
Dentes quadrados na boca
Sempre apodrecem
Bom, eu não sou, de fato, nem negra e nem índia caiapó, mas a licença poética tudo permite. E ser musa de música é fato digno de memória. Fato mesmo, digno de nota. Amei ser musa!
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Mas gostaria de registrar um fato digno de ser fato, isto é, digno de memória eterna de palavras recebidas e apreciadas e bem impactadas. Na verdade, esse blog até já registrou o fato (abril de 2007), mas com menor impacto; menor existência, portanto. Virei musa de uma música. A música já foi aqui publicada, mas eu não sabia que a música ganhou o nome de Filomena (essa mesmo que escreve). Fato que o nome era meio óbvio, mas eu não sabia e assim não existia, uma vez que não estava na minha memória o nome porque eu não sabia de fato.
Filomena
Filomena nena nenaná
Filó
Fulô de campo
Caiapó
Na cidade dos meus sonhos
Sua
O bosque mata tropical
Sobre a Ponte Preta cresce
A lua
Barão Geraldo em geral
É onde eu vou
Pra encontrar
Essa mãe negra
E falar
Como esse povo bom
Me ensinou
Dentes quadrados na boca
Sempre apodrecem
Bom, eu não sou, de fato, nem negra e nem índia caiapó, mas a licença poética tudo permite. E ser musa de música é fato digno de memória. Fato mesmo, digno de nota. Amei ser musa!
domingo, janeiro 13, 2008
Barquinho de papel II
Arranco areia do mar sem fim, corais em pedaços.
Faço um barco de papel para enviar um recado
O barco desenrolou e abriu nele os meus braços,
Adélia Prado escrita em pincel.
O desenho desbotou e o navio afundou,
a lua ficou minguante e sumiu, com o navio.
Estrela cadente, peço a Deus um desejo:
não tem nada em comum com a lua;
é bem humano.
Levantei e fui embora com Jonathan.
Não era o caminho do céu.
O navio foi ao bem ao fundo recitando seu desenho apagado:
“A formosura do teu rosto obriga-me
e não ouso em tua presença
ou à tua simples lembrança
recusar-me ao esmero de permanecer contemplável.
Quisera olhar fixamente a tua cara,
como fazem comigo soldados e choferes de ônibus.
Mas não tenho coragem,
olho só tua mão,
a unha polida olho, olho, olho e é quanto basta
pra alimentar fogo, mel e veneno deste amor incansável
que tudo rói e banha e torna apetecível:
caieiras, desembocaduras de desgostos,
idéia de morte, gripe, vestido, sapatos,
aquela tarde de sábado,
esta que morre agora antes da mesa pacífica:
ovos cozidos, tomates,
fome dos ângulos duros de tua cara de estátua.
Recolho tamancos, flauta, molho de flores, resinas, rispidez de teu lábio que suporto com dor
e mais retábulos, faca, tudo serve e é estilete,
lâmina encostada em teu peito. Fala.
Fala sem orgulho ou medo
que à força de pensar em mim sonhou comigo
e passou um dia esquisito,
o coração em sobressaltos à campainha da porta,
disposto à benignidade, ao ridículo, à doçura. Fala.
Nem é preciso que o amor seja a palavra.
"Penso em você" - me diz e estancarei os féretros,
tão grande é minha paixão.”
Faço um barco de papel para enviar um recado
O barco desenrolou e abriu nele os meus braços,
Adélia Prado escrita em pincel.
O desenho desbotou e o navio afundou,
a lua ficou minguante e sumiu, com o navio.
Estrela cadente, peço a Deus um desejo:
não tem nada em comum com a lua;
é bem humano.
Levantei e fui embora com Jonathan.
Não era o caminho do céu.
O navio foi ao bem ao fundo recitando seu desenho apagado:
“A formosura do teu rosto obriga-me
e não ouso em tua presença
ou à tua simples lembrança
recusar-me ao esmero de permanecer contemplável.
Quisera olhar fixamente a tua cara,
como fazem comigo soldados e choferes de ônibus.
Mas não tenho coragem,
olho só tua mão,
a unha polida olho, olho, olho e é quanto basta
pra alimentar fogo, mel e veneno deste amor incansável
que tudo rói e banha e torna apetecível:
caieiras, desembocaduras de desgostos,
idéia de morte, gripe, vestido, sapatos,
aquela tarde de sábado,
esta que morre agora antes da mesa pacífica:
ovos cozidos, tomates,
fome dos ângulos duros de tua cara de estátua.
Recolho tamancos, flauta, molho de flores, resinas, rispidez de teu lábio que suporto com dor
e mais retábulos, faca, tudo serve e é estilete,
lâmina encostada em teu peito. Fala.
Fala sem orgulho ou medo
que à força de pensar em mim sonhou comigo
e passou um dia esquisito,
o coração em sobressaltos à campainha da porta,
disposto à benignidade, ao ridículo, à doçura. Fala.
Nem é preciso que o amor seja a palavra.
"Penso em você" - me diz e estancarei os féretros,
tão grande é minha paixão.”
quinta-feira, janeiro 10, 2008
Laurie Anderson

Quem conhece Laurie Anderson? É uma artista visual da minimal art. Ela mistura voz, instrumentos musicais (violino principalmente) com som eletrônico, luzes, slides. Big Science é um marco com O Superman, que era sofisticado demais para a década de 80. Eu vi Laurie nos Estados Unidos na década de noventa e fiquei muito impressionada. E comprei esse disco, entre outros dela, e escuto até hoje sempre como se fosse algo muito novo. Acho que é minha eterna artista preferida. Laurie Anderson está no Hall dos artistas de extrema vanguarda e ganhou um prêmio recentemente:
The performance artist Laurie Anderson has been named the winner of the 2007 Dorothy and Lillian Gish Prize. She will receive about $300,000 and a silver medal in ceremonies at the Hudson Theater on Nov. 13. Recognizing outstanding talents in the arts, the prize, in its 14th year, is a legacy from the silent screen stars Dorothy and Lillian Gish, who were sisters. Lillian's will specified that it should be awarded annually to "a man or woman who has made an outstanding contribution to the beauty of the world and to mankind's enjoyment and understanding of life." Previous recipients include Ornette Coleman, Bill T. Jones, Lloyd Richards, Arthur Miller, Isabel Allende, Bob Dylan, Ingmar Bergman and Frank Gehry.
http://www.laurieanderson.com/
segunda-feira, janeiro 07, 2008
Chuva e sol: casamento de espanhol
Faz muito tempo que não como carne. Virei vegetariana, pelo menos de carne vermelha. Peixe tudo bem, e frango só raramente. E adoro comida indiana, comida garantida sem carne. Me deu vontade agora de comer grão de bico com batata, curry e gengibre. Sei fazer. Pena que não tem ninguém aqui para justificar uma culinária. Minha casa está vazia e a república quase. Eita solidão do cacete! E depois de uma semana em grupo, dormindo em grupo com banhos coletivos, o isolamento parace ainda pior. Fico com insônia, me dá pesadelo. Acabei sonhando que tinha ficado congelada por 20 anos. Quando acordei, voltei para Araras, todo mundo estava velho e ninguém me reconhecia. Julgavam-me morta e não aceitavam aquela figura do passado. Não era mais aceita por ninguém porque tudo havia mudado, menos eu. Que coisa esquisita. Obviamente resultado de um fim de semana de isolamento. Fiquei em casa lendo uma tese de Porto Alegre para sexta. Vou para lá e há de ser melhor. Quando voltar, acho que tudo estará normal de novo. Barão Geraldo está vazio agora. Nem dá vontade de sair nas ruas congeladas como eu no sonho. Verdade que ontem fui no Delta Blues e estava bom, mas não é Barão. E pior é que só chove aqui em janeiro. E chuva só lembra de coisa triste. Mais parece lágrima caindo para fora. A Dona Doida melhora quando chove, eu só melhoro com sol.
Dona Doida
Adélia Prado
Uma vez, quando eu era menina, choveu grosso
com trovoadas e clarões, exatamente como chove agora.
Quando se pôde abrir as janelas,
as poças tremiam com os últimos pingos.
Minha mãe, como quem sabe que vai escrever um poema,
decidiu inspirada: chuchu novinho, angu, molho de ovos.
Fui buscar os chuchus e estou voltando agora,
trinta anos depois. Não encontrei minha mãe.
A mulher que me abriu a porta, riu de dona tão velha,
com sombrinha infantil e coxas à mostra.
Meus filhos me repudiaram envergonhados,
meu marido ficou triste até a morte,
eu fiquei doida no encalço.
Só melhoro quando chove.
Dona Doida
Adélia Prado
Uma vez, quando eu era menina, choveu grosso
com trovoadas e clarões, exatamente como chove agora.
Quando se pôde abrir as janelas,
as poças tremiam com os últimos pingos.
Minha mãe, como quem sabe que vai escrever um poema,
decidiu inspirada: chuchu novinho, angu, molho de ovos.
Fui buscar os chuchus e estou voltando agora,
trinta anos depois. Não encontrei minha mãe.
A mulher que me abriu a porta, riu de dona tão velha,
com sombrinha infantil e coxas à mostra.
Meus filhos me repudiaram envergonhados,
meu marido ficou triste até a morte,
eu fiquei doida no encalço.
Só melhoro quando chove.
domingo, janeiro 06, 2008
sábado, janeiro 05, 2008
Barquinho de papel
Da nostalgia de areia que não foi pisada
Ao lado de um deserto de água
Não te mando um postal
Mando um poema
Com gosto de sal
E maresia
Ele flutua sob a palidez da lua
Sem regresso e sem resposta
Salgado
Ao lado de um deserto de água
Não te mando um postal
Mando um poema
Com gosto de sal
E maresia
Ele flutua sob a palidez da lua
Sem regresso e sem resposta
Salgado
sexta-feira, janeiro 04, 2008
Funk
No Rio, obviamente, a música do final de ano foi o funk. Eu gostei. Nunca tinha visto o verdadeiro funk. É bem bonito ver os meninos, provavelmente da favela, dançando enlouquecidamente e iguais até o ano virar, durante horas no quiosque da prainha. O funk se misturou com rituais de candomblé e muitas flores na praia. Tinha todo tipo de gente e o ano virou misturado no funk.
Eu só quero é ser feliz
Minha cara autoridade, eu já não sei o que fazer,
Com tanta violência eu sinto medo de viver.
Pois moro na favela e sou muito desrespeitado,
A tristeza e alegria que caminham lado a lado.
Eu faço uma oração para uma santa protetora,
Mas sou interrompido à tiros de metralhadora.
Enquanto os ricos moram numa casa grande e bela,
O pobre é humilhado, esculachado na favela.
Já não aguento mais essa onda de violência,
Só peço a autoridade um pouco mais de competência.
Eu só quero é ser feliz,
Andar tranquilamente na favela onde eu nasci, han.
CREU pro ano novo!
Eu só quero é ser feliz
Minha cara autoridade, eu já não sei o que fazer,
Com tanta violência eu sinto medo de viver.
Pois moro na favela e sou muito desrespeitado,
A tristeza e alegria que caminham lado a lado.
Eu faço uma oração para uma santa protetora,
Mas sou interrompido à tiros de metralhadora.
Enquanto os ricos moram numa casa grande e bela,
O pobre é humilhado, esculachado na favela.
Já não aguento mais essa onda de violência,
Só peço a autoridade um pouco mais de competência.
Eu só quero é ser feliz,
Andar tranquilamente na favela onde eu nasci, han.
CREU pro ano novo!
Trabalhos na areia
O Meandivas estranhou o fato de ver na praia "umas 8 pessoas, entre jovens e adultos, dos quais um portando uma enxada (sim, uma enxada) e cavando com fúria! Pois era assim, chegava um, entrava na área de construção, vinha outro, um passava creme nas costas do outro, trocavam colares, e a enxada comendo solta..."
Fato ocorrido no Espírito Santo.
Bom, não me parece tão bizarro. Eu vi algo similar no Rio de Janeiro. Lá foram necessários 3 homens para cavar com as próprias mãos uma enorme vala.
Marcadores: Buraco
Arraial

Como disse o Alexandre, "essa imersão na sociedade alternativa funciona como um "spa moral"! Sim, mendicância com título de doutorado e carro importado à disposição só pode ter um nome mais bonito que "marginalização voluntária"!"
O Itaypehoe (que era exatamente como eu não era nessa viagem) apresenta o NO LIMITE: Arraial do Bago 2007/2008.
Acampamos em um estacionamento com um scenic e uma barraca. Comemos no pé da favela e roubamos banho nos chuveiros de areia dos prédios da burguesia.
Moral da história - se uma mendiga te pedir banho, aluna de letras e linguística da UFMG, não é bom negar. Melhor seria assistir A Bela e a Fera da Disney e lembrar que uma mendiga pode ser, na verdade, uma bruxa.
CREU!!!
Cristiano entrou no meio, mas ficou o mais doente. João Auschwitz, o vencedor, não passou mal nenhuma vez. Marcello e Filomena usaram o mesmo canto de vomitar (que nojo!).













