quarta-feira, agosto 31, 2005

festinha pra rir ou chorar

Sexta-feira depois do concurso vai ter festinha em casa. Todos os leitores amigos estão convidados.

quinta-feira, agosto 25, 2005

Modelando a desarmonia de minha mente

Tem mais sobre o carro e outras coisitas. Agora já sei calcular a probabilidade da desarmonia, ou seja, da viravolta das restrições em uma distribuição gaussiana aplicada a uma otimalidade estocástica. Prova cabal de minha sanidade. A fórmula está em outra postagem abaixo para os comentaristas mais curiosos que possam desejar mais detalhes. Tudo muito lógico e óbvio. Se não for isso é mandinga da Gigi, como provam matematicamente os comentários sobre 'o carro sumiu' abaixo. Que se manisfestem as posições contrárias.

Um copo de mar! Vamos ver a exposição no IEL a partir de amanhã para revirar as restrições outra vez.

quarta-feira, agosto 24, 2005

Sumiu o carro

Acontecido na última sexta. Passei um dia tranquilo no IEL. Sempre estaciono o carro perto da avedida de saída, onde passam ônibus. Chegou a hora de ir embora. Cadê o carro? Parei em lugar diferente hoje e não lembro? Dou a volta no IEL. Nada de carro. Assalto? Mais uma volta. 20 minutos procurando. Quando olho em direção ao banco do Brasil: lá estava o meu carro com seu adesivo de Ilha Bela. No campo de minha visão. Em frente ao banco. Claro, eu fui ao banco de manhã. Voltei andando para o IEL? Foi. Esqueci o carro no banco? Foi. Passar no banco foi a primeira coisa que eu fiz de manhã. Depois disso, dizem que é caso de internação. Está perto, portanto. Não, que isso! O caos externo é simplesmente mais um exemplo da gradiência do mundo superficial. Na estrutura subjacente tudo está categorizado belamente. Nada para preocupação... :~ ... :0 ...

sábado, agosto 20, 2005

Sobre a leitura

'...a leitura não poderia ser assimilada a uma conversação, mesmo com o mais sábio dos homens; que a diferença essencial entre um livro e um amigo, não é a sua maior ou menor sabedoria, mas a maneira pela qual a gente se comunica com eles, a leitura, ao contrário da conversação, consistindo para cada um de nós em receber a comunicação de um outro pensamento, mas permanecendo sozinho, isto é, continuando a desfrutar do poder intelectual que se tem na solidão e que a conversação dissipa imediatamente, continuando a poder ser inspirado, a permanecer em pleno trabalho fecundo do espírito sobre si mesmo.'

Proust fala obviamente da leitura de livros, mas há um gênero mais banal que leva ao mesmo prazer: blogs. Eu gosto de ler a vida cotidiana, pelo simples gosto de receber a comunicação de outro pensamento, muitas vezes incompleto, e imaginar o que seria o pensamento completo, as linhas que foram omitidas, o espírito da pessoa na hora da redação do simples cotidiano ou de reflexões rápidas sobre ele. De algo que parece uma banalidade, do receber de um pensamento incompleto, vem hora ou outra algum entendimento nada trivial elaborado 'no trabalho fecundo do espírito sobre si mesmo'.

sexta-feira, agosto 19, 2005

Aprendizado

Do mesmo modo que te abriste à alegria
abre-te agora ao sofrimento
que é fruto dela
e seu avesso ardente.

Do mesmo modo
que da alegria foste
ao fundo
e te perdeste nela
e te achaste
nessa perda
deixa que a dor se exerça agora
sem mentiras
nem desculpas
e em tua carne vaporize
toda ilusão

Que a vida só consome
o que a alimenta.

Ferreira Gullar

:~ !!??

Caro comentarista:

Na verdade, eu pensava, mais especificamente, em algo como:


P (disharmony1 > disharmony2)= 1/2. (1 - erf (1/2 - erf 2 × r1 - r2
rankingSpreading × 2 raiz quadrada de 2. (r1 - r2/ranking spreading.raiz quadrada de 2))

Espero de coração que agora todas as suas dúvidas estejam sanadas.

Sem mais para o momento, despeço-me sanamente.

terça-feira, agosto 16, 2005

A casa

Hora de abrir as portas da casa dos sonhos.

segunda-feira, agosto 15, 2005

Sonhos: um copo de mar

Uma pessoa me chama. Pede para deixar tudo: não tem mar, melhor morrer. Acordo. Estou em casa. Um barulho. Quem é? Procurando em todo canto, encontro meu primo. Mas ele voltou a ser criança! E eu, que aspecto tenho? Vou para a casa de meus avós. Meu pai e meu tio estão lá. Peço a chave porque a porta está aberta. Onde está a chave? A vovó vai chegar e ficar brava com a porta aberta. A chave sumiu. Vou para um chaveiro e penso que importância tem a chave se todos lá estão mortos?

Há sempre um copo de mar
para um homem navegar

domingo, agosto 14, 2005

Não, não

Oh! Minha romântica senhora Tentação,
Não deixes que Eu venha sucumbir,
Neste vendaval de paixão.
Jamais...

sexta-feira, agosto 12, 2005

SUPONHO QUE ME ENTENDER NÃO SEJA UMA QUESTÃO DE INTELIGENCIA E SIM DE SENTIR, DE ENTRAR EM CONTATO. OU TOCA OU NÃO TOCA"

Um pouco de romantismo para inventar outra vida

VOZ QUE SE CALA

Amo as pedras, os astros e o luar
Que beija as ervas do atalho escuro,
Amo as águas de anil e o doce olhar
Dos animais, divinamente puro.

Amo a hera que entende a voz do muro
E dos sapos, o brando tilintar
De cristais que se afagam devagar,
E da minha charneca o rosto duro.

Amo todos os sonhos que se calam
De corações que sentem e não falam,
Tudo o que é Infinito e pequenino!

Asa que nos protege a todos nós!
Soluço imenso, eterno, que é a voz
Do nosso grande e mísero Destino!...


SE TU VIESSES VER-ME


Se tu viesses ver-me hoje à tardinha,
A essa hora dos mágicos cansaços,
Quando a noite de manso se avizinha,
E me prendesses toda nos teus braços...

Quando me lembra: esse sabor que tinha
A tua boca... o eco dos teus passos...
O teu riso de fonte... os teus abraços...
Os teus beijos... a tua mão na minha...

Se tu viesses quando, linda e louca,
Traça as linhas dulcíssimas dum beijo
E é de seda vermelha e canta e ri

E é como um cravo ao sol a minha boca...
Quando os olhos se me cerram de desejo...
E os meus braços se estendem para ti...

Florbela Espanca

quinta-feira, agosto 11, 2005

Que o céu maravilhoso desta noite transmita minha dor

Narciso e Narciso

Se Narciso se encontra com Narciso
e um deles finge
que ao outro admira
(para sentir-se admirado),
o outro
pela mesma razão finge também
e ambos acreditam na mentira.

Para Narciso
o olhar do outro, a voz
do outro, o corpo
é sempre o espelho
em que ele a própria imagem mira.
E se o outro é
como ele
outro Narciso,
é espelho contra espelho:
o olhar que mira
reflete o que o admira
num jogo multiplicado em que a mentira
de Narciso a Narciso
inventa o paraíso.
E se amam mentindo
no fingimento que é necessidade
e assim
mais verdadeiro que a verdade.

Mas exige, o amor fingido,
ser sincero
o amor que como ele
é fingimento.
E fingem mais
os dois
com o mesmo esmero
com mais e mais cuidado
- e a mentira se torna desespero.
Assim amam-se agora
se odiando.

O espelho
embaciado,
já Narciso em Narciso não se mira:
se torturam
se ferem
não se largam
que o inferno de Narciso
é ver que o admiravam de mentira.

(Ferrerira Gullar)

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Metade

Que a força do medo que eu tenho,
não me impeça de ver o que anseio.

Que a morte de tudo o que acredito
não me tape os ouvidos e a boca.

Porque metade de mim é o que eu grito,
mas a outra metade é silêncio...

Que a música que eu ouço ao longe,
seja linda, ainda que triste...

Que a mulher que eu amo
seja para sempre amada
mesmo que distante.

Porque metade de mim é partida,
mas a outra metade é saudade.

Que as palavras que eu falo
não sejam ouvidas como prece
e nem repetidas com fervor,
apenas respeitadas,
como a única coisa que resta
a um homem inundado de sentimentos.

Porque metade de mim é o que ouço,
mas a outra metade é o que calo.

Que essa minha vontade de ir embora
se transforme na calma e na paz
que eu mereço.

E que essa tensão
que me corrói por dentro
seja um dia recompensada.

Porque metade de mim é o que eu penso,
mas a outra metade é um vulcão.

Que o medo da solidão se afaste
e que o convívio comigo mesmo
se torne ao menos suportável.

Que o espelho reflita em meu rosto,
um doce sorriso,
que me lembro ter dado na infância.

Porque metade de mim
é a lembrança do que fui,
a outra metade eu não sei.

Que não seja preciso
mais do que uma simples alegria
para me fazer aquietar o espírito.

E que o teu silêncio
me fale cada vez mais.

Porque metade de mim
é abrigo, mas a outra metade é cansaço.

Que a arte nos aponte uma resposta,
mesmo que ela não saiba.

E que ninguém a tente complicar
porque é preciso simplicidade
para fazê-la florescer.

Porque metade de mim é platéia
e a outra metade é canção.

E que a minha loucura seja perdoada.

Porque metade de mim é amor,
e a outra metade...
também.

(Ferreira Gullar)

O quintal

O IEL é minha casa e o Carpe, meu quintal.

quarta-feira, agosto 10, 2005

Espanca forever

"EXALTAÇÃO"
(Florbela Espanca)

Viver!...Beber o vento e o sol!...Erguer
Ao Céu os corações a palpitar!
Deus fez os nossos braços pra prender,
E a boca fez-se sangue pra beijar!
A chama, sempre rubra, ao alto, a arder!...
Asas sempre perdidas a pairar,
Mais alto para as estrelas desprender!...
A glória!...A fama!...O orgulho de criar!...
Da vida tenho o mel e tenho os travos
No lago dos meus olhos de violetas,
Nos meus beijos extáticos, pagãos!..
Trago na boca o coração dos cravos!
Boêmios, vagabundos, e poetas:
__Como eu sou vossa Irmã, ó meus Irmãos!...

terça-feira, agosto 09, 2005

IEL

Eu vim para o IEL com 17 anos. Fora os anos de exterior, eu sempre estive ai. Posso dizer que cresci no IEL. Esta é a minha casa.

segunda-feira, agosto 08, 2005

Aquisição de linguagem

Para lingüistas: ontem o Dudu falou: onde você te ama? E eu disse: o que? Dudu: Você te ama no Dudu? Ele queria dizer "você ama o Dudu?", mas ficou ainda mais lindo.

Enquanto isso, a Julia, de 8 anos, quer ir nas casas Bahia para comprar uma cama de casal para ela. :)
...o céu estrelado vale a dor do mundo..."

Aniversário da Kuka

Hoje foi a festa de 50 anos de minha tia em Araras. Toda a família reunida, que legal. Primos e primas que eu não via desde não sei quando. Mesmo a minha tia já tinha bastante tempo que eu não via porque ela está morando em Rondonópolis. Tinha uma amiga dela que me abraçou muito, me beijou, passou a mão no meu rosto e dizia que não me via desde quando eu tinha menos de cinco anos. Ela perguntou se eu me lembrava dela e eu não tinha a menor idéia de quem era. Ela disse que brincava comigo, cuidava de mim junto com minha tia e outras amigas. Estranho, mas gostoso. Até agora não sei o nome dela. Tinha fotos da família e eu com minha tia quando eu tinha 3 anos. A menininha da foto era tão parecida com minha filha Julia. O meu filho Dudu ficou com vergonha de tanta gente desconhecida e queria bater em todos. Um tio que é pediatra falou que ele tem muita serotonina. Algumas primas que brincavam comigo me pareceram tão velhas, será que eu também pareço assim? Um dia bizarro e feliz em família.

sábado, agosto 06, 2005

Arte de amar


Se queres sentir a felicidade de amar, esquece a tua alma.
A alma é que estraga o amor.
Só em Deus ela pode encontrar satisfação.
Não noutra alma.
Só em Deus — ou fora do mundo.
As almas são incomunicáveis.


Deixa o teu corpo entender-se com outro corpo.


Porque os corpos se entendem, mas as almas não.


___
É, o homem realmente sabia das coisas. É isso mesmo.

terça-feira, agosto 02, 2005

Não há identidade

Uma onda gigantesca. Verde mar opaco. Fui atingida sem reação. Ao ser levada de volta ao mar, deixou a areia limpa, tudo levado para o fundo do mar. Tantas marcas de passos pela areia, passos suados e difíceis. A areia voltou a ficar ilesa. Não há mais marcas de passos. Não há mais caminho nem caminhante. Nem pegadas. Sem marcas. Estou no mesmo lugar.

segunda-feira, agosto 01, 2005

Invoco o nosso sonho! Estendo os braços!
E ele é, ó meu Amor, pelos espaços,
Fumo leve que foge entre os meus dedos!...

Florbela Espanca