quinta-feira, julho 31, 2008

Mais um debate polêmico envolvendo índios brasileiros

Embora este blog se chame “Vida de Índio”, não é um blog sobre questões indígenas. Mas, dada a natureza de meu trabalho, a questão aparece vez ou outra. Uma amiga me mandou o site abaixo. Ele denuncia a prática de infanticídio no Brasil. Contém um filme que aparentemente foi fortemente criticado pelo presidente da FUNAI. É engraçado que o filme começa com o seguinte aviso: “Contém nudez indígena e outras cenas fortes”. Este tipo de mensagem é saliente aos olhos. Por que será que nudez indígena é diferente que qualquer outra nudez de gente? Para avisar que a nudez é indígena, deve ter um motivo de diferença, né? E por que será que é forte a nudez indígena? A questão é que infanticídio é tão proibido pela constituição brasileira quanto o aborto. Mas todos sabem que quanto nas sociedades indígenas quanto não indígenas, no mundo inteiro, é praticado o aborto. Mas não se fala sobre isso. Chama a atenção para o infanticídio, que só os índios cometem e pensam ser de mesma gravidade (ou não) que aborto, que também, como os outros humanos, praticam. Também é estranho que não encontrei fontes claras do site. Tem lá uns logotipos de parceiros não transparentes. Não se trata aqui de defender ou criticar aborto ou infanticídio. Fico é me perguntando se isso não é coisa dos mesmos e eternos missionários bem conhecidos, que já estão expulsos dos territórios indígenas do Brasil, tentando voltar pegando pela comoção popular. Não sei se é isso. A hipótese é levantada pelo fato de que tenho uma prima que, por ser evangélica, teve contato com aqueles missionários e ele estavam justamente com essa conversa no interior de São Paulo, tentando levar leigos para a luta e para, claro, entrada na aldeia como profissionais de saúde e educação social, entrada essa depois seguida, obviamente, do pessoal já expulso disfarçados de outra coisa. No passado, colava a desculpa de serem lingüistas, mas essa já é velha, e eu me pergunto se eles não estão pensando em uma nova desculpa no mesmo velho estilo de carneiro. Alguém sabe algo sobre o tal site?

http://www.hakani.org/pt/premiere.asp

quarta-feira, julho 30, 2008

Momento de sentir um vazio. O nada toma conta e nessas horas fico só razão. Não gosto de quando sinto uma ausência de meu contato com o mundo, e tudo funciona na logicidade. Vazio e ausência de mim mesma. Não gosto. Dormente. Falta um sentimento de Jonathan. Adélia Prado pôs em cena essa sombra materializada, chamando-a de Jonathan, Jonathan, quem quer que seja, nele, ao seu modo, residem a promessa e a fuga, a realização e o desejo, bem como toda possibilidade de buscar. É o cheio. Ele reside na memória, só nela, aquela que levo eternamente.

Poema começado do fim

Um corpo quer outro corpo.
Uma alma quer outra alma e seu corpo.
Este excesso de realidade me confunde.
Jonathan falando:
parece que estou num filme.
Se eu lhe dissesse voce é estúpido
ele diria sou mesmo.
Se ele dissesse vamos comigo ao inferno passear
eu iria.
As casas baixas, as pessoas pobres,
e o sol da tarde,
imaginai o que era o sol da tarde
sobre a nossa fragilidade.
Vinha com Jonathan
pela rua mais torta da cidade.
O Caminho do Céu.

sexta-feira, julho 25, 2008

Talvez eu seja um homem gay no corpo de uma mulher!

Madonna

Fragmentos do medo

Fiz uma montagem de algumas coisas que escrevi aqui ao longo dos anos sobre o tema medo. Saiu isso, que ganhou o nome de:

Medo

Queria ouvir o que sente. Só ouvir. Vou é ficar aqui vendo as noites de lua. Gosto da lua cheia, ainda mais da crescente. Dá esperança. É um sentimento insuportável. “Parece uma boca sem dentes tentando gritar e não conseguindo”. É o medo. Sonhei que entrava em uma casa. Carpete creme com luz. Era uma antiga casa que habitei. E a casa foi invadida por um ladrão. Eu fugi, mas havia outro só olhando do lado de fora. Ele viu que eu fugia e me deixou. Pensei em chamar a polícia, mas no caminho resolvi deixar tudo. Fique com a casa, escolha o que achar de valor. Pegue, pode levar, é seu. Entrei à noite, escura sem estrelas, sem luz. O assassino estava esperando. Me atacou com uma faca. Vi outra casa. Gritei para um dos moradores. Ele já estava morto e nada podia fazer. Gritei para o segundo. Havia tomado muito remédio para dormir. Não podia acordar. O terceiro, que nunca ocupou verdadeiramente a casa, não ouviu. Eu segui sozinha vagando até que caí numa alcova escura e úmida. As paredes eram vermelhas, mas a tinta estava descascando e dava para ver tinta branca embaixo das cascas de tinta vermelha. Brotava gotas de água das paredes úmidas, que misturadas com a tinta vermelha pareciam sangue. As paredes sangravam. Formo a figura do homem vitruviano e o sangue escorre pelos braços, pingando nas pernas. Abaixo os braços e o sangue escorre pelos pulsos ralo embora. Calada numa voz de fumaça ao mundo, no esparramado vermelho sem luz. Há murmúrios dolentes. Palavra esvaindo. Sangra verde. É verde agora. Há noites silenciosas. Endoidecendo. Palavras soltas em vogais abertas. Que frio! Onde o alívio? O crepúsculo anuncia o dia de amarelo. Reaparecendo sem cor, sonho outro dia: crepúsculo a apresentar ao mundo apenas um sorriso.

Mistérios de um mundo gramatical

O que é “eu”? O que se pode dizer ou como definir “eu” fora da situação de enunciação? Enunciação, de acordo com Benveniste, é o processo de funcionamento da língua por um ato individual de utilização. Esse ato individual pressupõe um sujeito, um contexto, um tempo definido e um destinatário. Fora desse contexto, o único conceito possível é o de um pronome que designa a primeira pessoa singular do discurso. Esse seria um motivo interessante para explicar o porquê de a primeira pessoa ser algo excentricamente marcada na gramátiaca de algumas línguas do mundo (cf. hierarquia 1>2>3 do Tupi-Guaraní). Mas ocorre que Kadiwéu tem uma posição sintática distinta para pronomes de primeira e de segunda pessoa. Não só a primeira, portanto. Terceiras pessoas, incluindo demonstrativos, ocupam uma outra posição na gramática Kadiwéu. Embora não possa provar ainda de maneira inquestionável, parece-me que argumentos de primeira/segunda pessoa funcionam nesta língua em uma gramática de caso ergativo/absolutivo, enquanto terceiras pessoas estão em uma gramática de caso nominativo/acusativo. Por que ocorreria tal cisão na deixis?

terça-feira, julho 22, 2008

AL 833





Foto distorcida para guardar uma memória se apagando de uma casa feliz. Quem se lembra de milhões de cenas como estas se apagando na memória? A república AL 833 está fechando, minha segunda casa. Memórias de bons vinhos, conversas, festas que não mais se repetirão. Fecha-se uma porta e seu ciclo.

Momento da propaganda

Já que est blog, por uns dias, perdeu sua característica "meu querido diário", por que não fazer um momento de propaganda?

Olha só:


GLOW 32 will take place in Nantes, France, April 15-18, 2009. The general call for papers is in http://camba.ucsd.edu/phonoloblog/; the theme is “On the Architecture of the Grammar: Y, if and how”. Danny Fox and Paul Smolensky are the invited speakers. There will be three workshops: one on acquisition, one on semantics, and (of course) one on phonology, the theme of which is “The lexicon (if any)”. Call deadline: November 1, 2008.

segunda-feira, julho 21, 2008

Mais sobre o debate

http://www.telegraph.co.uk/earth/main.jhtml?view=DETAILS&grid=&xml=/earth/2008/07/16/sciamazon116.xml

Mais um link da midia.

Está melhor essa outra matéria. Como sugere o outro experimento com os mundurucus (mencionado na matéria), talvez o teste com palavras para números não seja prova decisiva de ausência de cognição matemática. É muito forte essa coisa.

Eu ainda acho que se eles aprendem quando estão em outra língua, a capacidade cognitiva está lá. A questão é desenvolver essa capacidade. Língua também não se desenvolve se não houver input. Lembram da Genie, aquela menina que ficou isolada de linguagem até a puberdade?

domingo, julho 20, 2008

Olha os Pirahã de novo na midia! A saga não tem fim...

Novamente os pirahãs aparecem na midia com a mesma coisa sendo falada sobre eles. Estão perplexos em saber que eles não têm palavras para números na língua pirahã.

Isso é verdade, mas eu não me canso de perguntar porque isso implica que eles não têm capacidade de matemática. Eu também não consigo segmentar todas aquelas neves do pessoal que vive nas neves, mas tenho capacidade de segmentação.

Gostaria também de saber como é que alguns pirahãs geneticamente não misturados com nenhum outro povo compraram uma casa na cidade sem cognição para a matemática!

Também dá ódio como pegam a parte pelo todo. Se um cara do MIT disse isso acima, não significa que é a opinião de todos por lá.

É muito ruim ver um pessoal (ou uma pessoa talvez) que não se cansa de querer provar que existe no mundo um povo cognitivamente estranho. Até parece história de matador em série, que não se cansa patologicamente de perseguir determinados grupos de pessoas!

Para mim isso deveria ser considerado racismo. Imaginem chamar qualquer outra raça de cognitivamente inferior, uma espécie de elo perdido entre o macaco e o homo-sapiens... Acho que daria cadeia até! Só que eles não têm advogados para se protegerem. Só vejo esta diferença.

O link para quem quiser ler a matéria está abaixo:

http://noticias.uol.com.br/bbc/reporter/2008/07/17/ult4905u425.jhtm

segunda-feira, julho 14, 2008

Nós com os príncipes japoneses

domingo, julho 13, 2008

HORA ABSURDA


O teu silêncio é uma nau com tôdas as velas pandas...
Brandas, as brisas brincam nas flâmulas, teu sorriso...
E o teu sorriso no teu silêncio é as escadas e as andas
Com que me finjo mais alto e ao pé de qualquer paraiso...

Meu coração é uma ânfora que cai e que se parte...
O teu silêncio recolhe-o e guarda-o, partido, a um canto...
Minha idéia de ti é um cadáver que o mar traz à praia..., e
entanto
Tu és a tela irreal em que erro em côr a minha arte...

Abre tôdas as portas e que o vento varra a idéia
Que temos de que um fumo perfuma de ócio os salões...
Minha alma é uma caverna enchida p'la maré cheia,
E a minha idéia de te sonhar uma caravana de histriões...

Chove ouro baço, mas não no lá-fora...É em mim...Sou a Hora,
E a Hora é de assombros e tôda ela escombros dela...
Na minha atenção há uma viúva pobre que nunca chora...
No meu céu interior nunca houve uma única estrela...

Hoje o céu é pesado como a idéia de nunca chegar a um pôrto...
A chuva miúda é vazia...A Hora sabe a ter sido...
Não haver qualquer coisa como leitos para as naus!...Absorto
Em se alhear de si, teu olhar é uma praga sem sentido...

Tôdas as minhas horas são feitas de jaspe negro,
Minhas ânsias tôdas talhadas num mármore que não há,
Não é alegria nem dor esta dor com que me alegro,
E a minha bondade inversa não é nem boa nem má...

Os feixes dos lictores abriram-se à beira dos caminhos...
Os pendões das vitórias medievais nem chegaram às cruzadas...
Puseram in-fólios úteis entre as pedras das barricadas...
E a erva cresceu nas vias férreas com viços daninhos...

Ah, como esta hora é velha!... E tôdas as naus partiram!
Na praia só um cabo morto e uns restos de vela falam
De longe, das horas do Sul, de onde os nossos sonhos tiram
Aquela angústia de sonhar mais que até para si calam...

O palácio está em ruínas... Dói ver no parque o abandono
Da fonte sem repuxo... Ninguém ergue o olhar da estrada
E sente saudade de si ante aquêle lugar-outono...
Esta paisagem é um manuscrito com a frase mais bela cortada...

A doida partiu todos os candelabros glabros,
Sujou de humano o lago com cartas rasgadas, muitas...
E a minha alma é aquela luz que não mais haverá nos
candelabros...
E que querem ao lago aziago minhas ânsias, brisas fortuitas?...

Por que me aflijo e me enfermo?...Deitam-se nuas ao luar
Tôdas as ninfas... Veio o sol e já tinham partido...
O teu silêncio que me embala é a idéia de naufragar,
E a idéia de a tua voz soar a lira dum Apolo fingido...

Já não há caudas de pavões tôdas olhos nos jardins de outrora...
As próprias sombras estão mais tristes...Ainda
Há rastros de vestes de aias (parece) no chão, e ainda chora
Um como que eco de passos pela alamêda que eis finda...

Todos os ocasos fundiram-se na minha alma...
As relvas de todos os prados foram frescas sob meus pés frios...
Secou em teu olhar a idéia de te julgares calma,
E eu ver isso em ti é um pôrto sem navios...

Ergueram-se a um tempo todos os remos...pelo ouro das searas
Passou uma saudade de não serem o mar...Em frente
Ao meu trono de alheamento há gestos com pedras raras...
Minha alma é uma lâmpada que se apagou e ainda está quente...

Ah, e o teu silêncio é um perfil de píncaro ao sol!
Tôdas as princesas sentiram o seio oprimido...
Da última janela do castelo só um girassol
Se vê, e o sonhar que há outros põe brumas no nosso sentido...

Sermos, e não sermos mais!... Ó leões nascidos na jaula!...
Repique de sinos para além, no Outro Vale... Perto?...
Arde o colégio e uma criança ficou fechada na aula...
Por que não há de ser o Norte e Sul?... O que está descoberto?...

E eu deliro... De repente pauso no que penso...Fito-te...
E o teu silêncio é uma cegueira minha...Fito-te e sonho...
Há coisas rubras e cobras no modo como medito-te,
E a tua idéia sabe à lembrança de um sabor de medonho...

Para que não ter por ti desprêzo? Por que não perdê-lo?...
Ah, deixa que eu te ignore...O teu silêncio é um leque ---
Um leque fechado, um leque que aberto seria tão belo, tão belo,
Mas mais belo é não o abrir, para que a Hora não peque...

Gelaram tôdas as mãos cruzadas sôbre todos os peitos....
Murcharam mais flôres do que as que havia no jardim...
O meu amar-te é uma catedral de silêncio eleitos,
E os meus sonhos uma escada sem princípio mas com fim...

Alguém vai entrar pela porta...Sente-se o ar sorrir...
Tecedeiras viúvas gozam as mortalhas de virgens que tecem...
Ah, o teu tédio é uma estátua de uma mulher que há de vir,
O perfume que os crisântemos teriam, se o tivessem...

É preciso destruir o propósito de tôdas as pontes,
Vestir de alheamento as paisagens de tôdas as terras,
Endireitar à fôrça a curva dos horizontes,
E gemer por ter de viver, como um ruído brusco de serras...

Há tão pouca gente que ame as paisagens que não existem!...
Saber que continuará a haver o mesmo mundo amanhã --- como

nos desalegra!...
Que o meu ouvir o teu silêncio não seja nuvens que atristem
O teu sorriso, anjo exilado, e o teu tédio, auréola negra...

Suave, como ter mãe e irmãs, a tarde rica desce...
Não chove já, e o vasto céu é um grande sorriso imperfeito...
A minha consciência de ter consciência de ti é uma prece,
E o meu saber-te a sorrir é uma flor murcha a meu peito...

Ah, se fôssemos duas figuras num longínquo vitral!...
Ah, se fôssemos as duas côres de uma bandeira de glória!...
Estátua acéfala posta a um canto, poeirenta pia batismal,
Pendão de vencidos tendo escrito ao centro êste lema --- Vitória!

O que é que me tortura?... Se até a tua face calma
Só me enche de tédios e de ópios de ócios medonhos...
Não sei...Eu sou um doido que estranha a sua própria alma...
Eu fui amado em efígie num país para além dos sonhos...

4-7-1913

Fernando Pessoa

Tanabata Brasil


Adorei a festa japonesa, embora japonesa japonesa não era. Mistura e bagunça típica brasileira, com gente de todas as caras possíveis e imagináveis. Tinha raisu (não entendi porque a gente como arroz em inglês), mas era chinês para mim. Tinha também acarajé, cuscus e cocada e feirinha hippie. Era uma mega festa brasileira, com coisas japonesas também como é o Brasil. O sucesso total era o tal sorvete Melona, de origem misteriosa. Todo mundo tinha um, até nós. Uma delícia, na verdade. Nossos pedidos para as estrelas lá ficaram... E comi o famoso doce de feijão feito na hora, com panqueca. Como diz a Eva, no Brasil se põe acúcar em tudo (ela acha absurdo doce de batata e curau). Por que não no feijão? Tava bom!

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O Festival das Estrelas - São Paulo Sendai Tanabata Matsuri

É a maior festa tradicional do Japão no Brasil. Trata-se da Lenda da princesa Orihime e seu amado Kengyu. Orihime e Kengyu foram amaldiçoados e, por isso, eles podem se encontrar só uma vez por ano, em um dia do mês de Julho (i.e. hoje). Neste dia as pessoas fazem pedidos e desejos no tanzaku para as estrelas. Os pedidos são queimados no final da festa. As ruas do bairro da Liberdade ficam arrumadinhas com enormes enfeites suspensos de papel colorido que simbolizam as estrelas do Tanabata, imitando cometas cruzando o céu.

Vamos sair loguinho rumo Tanabata. E este ano é o centenário da imigração japonese, e a festa deve estar ainda mais bonita. Cobertura com documentação fotográfica e histórias mais tarde!

sexta-feira, julho 11, 2008

Morrer, verbo transitivo (XIV)

O sufixo foi para a sua casa levando dois iniciantes em Jyotisha e, a noite toda, discutiu os princípios básicos com eles. Afinal, um dia novos sufixos deveriam ser apontados. Era dia afinal e Alan ficou admirando o nascer do sol enquanto eles saíam. E adormeceu em sua sala pensando em Jena e a saudade que sentia dela.

Naquela tarde, Robert foi enterrado. E no final da noite uma entrevista com Morfema saiu na SFIXTV:

“Gustaria de mandar um beijo grande a tudas as pissoas que acumpanham meu trabalho e limbrar que dia 12/07 istarei istreando como aprisintadora num prugrama de canal adulto, que pruvavelmente, se chamará "Gustosas e Deep". Será um prugrama irótico e difirente. Eu sirei uma apresentadora tutalmente pirvertida. O programa terá intrivistas, cenas picantes, matérias intirissantes subre o mundo do sexo. Nós tiremos um quadro chamado "Esculinha do Pênis", em que eu sirei a prufissorinha insinando tudo subre sexo. Limbrando que será 100% prática! Além disso gustaria de limbrar que nele vucês terão filmes ixclusivos de minha prudução, direção e participação e também clipes e muitos insaios futugráficos sinsuais (limbrando que sou stripper também e faço shows pelo Brasil tudo).”

A adjetivador, recém chegado do enterro seguido de longas conversas com Medalhões durante horas, para tentar descobrir mais sobre aquela misteriosa confraria, ligou a TV e viu a entrevista, perguntando-se “que estranho sotaque artístico é esse?!”

Alan acordou. Havia dormido até então, e estava ausente no enterro. Alan procurou pela lua, como toda noite. Dessa vez uma dor imensa encheu-lhe a alma. Ele abriu a gaveta. Pegou um antigo livro português:

“O Luar vem cansado, vem de longe,
Vem casar-se co´a Terra, a feiticeira
Que enlouqueceu d´amor o pobre monge…”

Olhou para o revólver na gaveta. Em um ato de reflexo, pegou o revólver e deu um tiro na cabeça. Ainda vivo sentiu o sangue escorrer pelo pescoço misturando-se com seu crucifixo. Pensava na seção de gramaticalização da confraria para a promoção de um novo Sufixo. Jena, vou te procurar. Jena...
Férias... E todo mundo de casa viajou. A Eva veio escrever a tese aqui em casa... Ela está rindo das minha músicas! Falei que se trata de Radiohead, rock alternativo inglês dos anos 80 e 90. Papo pseudo-cabeça! Ela acha que se trata de um disco do tipo "Você também pode tocar e cantar", basta fazer com determinação! :)

quarta-feira, julho 09, 2008

segunda-feira, julho 07, 2008

ANPOLL


A viagem para a ANPOLL foi muito boa e divertida, embora a gente tenha viajado 13 horas de ônibus durante duas noites seguidas. Aprendi nunca mais dizer “espero que X não aconteça", porque ACONTECE! A nova rodoviária é uma piada. Chegamos lá e não tinha nenhuma sinalização. Espera: estão colocando a sinalização! Só seguir os caras das placas. Ora, vejam! Parecia filme em que estão acabando de colocar o cenário. Não deu para comer na viagem de ida, porque tinha justo uma caravana religiosa imensa da cidade do Emerson entupindo o restaurante de estrada. Resultado: janta-se um pão de queijo frio. Mas deu para dormir bem. Chegamos. Vixe, espero que não me veja! Primeira frase mal formulada... Foi só gritos. Que horror! Detalhes não vou dar... Mas já olhei desconfiada se nada mesmo podia ser sustentado: vai que algo foi editado sem eu me dar conta no texto do Pará... Não é o caso. Que vá pro quinto dos infernos! O GT de Teoria da Gramática foi muito legal. Fazia tempo que eu não discutia sintaxe das línguas brasileiras em apresentação minha. Adorei. Que grupo delicioso. Voltei cheia de idéias para discutir vozes. Não sou louca que ouve vozes, não. Trata-se de voz inversa e voz antipassiva, sendo a primeira a questão do momento. Já estou até pesquiando mais no assunto. Tá bom... Uma passiva também não faz mal para ninguém... Espera aí. Não se trata de texto pornô, não. Falei vozes, lembra? Na volta, outra frase mal formulada: espero que o velhinho contador de causos não sente perto de mim. Do lado! Ou ele jogava sem parar palavras ao ar, ou dormia e caía em cima de mim com seus mais de 100 Kg. Não consegui dormir. A Verónica riu (convidei a Verónica para ir comigo até Goiás apresentar um texto e, ela sem saber onde era, aceitou), Emerson ficou por lá. Eu, em minha voz, discuti minhas favoritas vozes. Acho que vou melhorar o artigo e mandar pro IJAL. Valeu, Goiás, por onde demos uma passadinha! Coisa de ir num ônibus e voltar no outro. Só um pulinho!

Voltei porque esqueci de contar o final. Quando cheguei, fui tomar um banho. Tocou o celular. Ouvi o Dudu atendendo e dizendo: "ela não pode atender, não, porque foi tomar banho. Ela não toma banho desde que começou a viajar para Goiás".
Simples como o grão
Só a melancolia
balbal
escuto o coração balbal-balbal
o que é todo forte
Sem contentamento
Balba
o que nunca se perde
nunca se apaga
Balba sem fim
Memória
Balbal balbal

sábado, julho 05, 2008

i

n

emaan




t

aGa



wa

quarta-feira, julho 02, 2008

Um edálito típico de uma tarde de uma fonóloga

Segunda-feira à tarde começou com uma apresentação de frases corriqueiras como:

A abelha rainha dançou samba ontem
Um saci branco quebrou a perna ontem

A ciência explica: acento em português.

Logo depois pedi para algumas pessoas repetirem 3 vezes frases também comuns como:

Pedro tem um ebólito típico

Novamente, a ciência quer explicar o comportamento de vogais pretônicas no português.

Finalmente dei uma entrevista para a revista superinteressante sobre o porquê de haver variação na pronúncia de vogais de palavras como banana e roraima. É óbvio que se trata de uma regra opcional de nasalização em certos dados contextos segmentais e prosódicos. Onde está esta regra? Na cabeça de uma lingüista sem julgamento de valores, oras!

Agora, já na quarta à tarde, vou preparar meus slides para a minha apresentação da ANPOLL, para a qual viajo nesta noite 13 horas de ônibus.

Uma aluna perguntou qual é o ácido usado na criação de experimentos? Nenhum, infelizmente, é apenas típico de fonóloga. Ou seja, Filomena tem um eguélito típico!