quarta-feira, maio 31, 2006

O Amor no Éter

Há dentro de mim uma paisagem
entre meio-dia e duas horas da tarde.
Aves pernaltas, os bicos
mergulhados na água,
entram e não neste lugar de memória,
uma lagoa rasa com caniço na margem.
Habito nele, quando os desejos do corpo,
a metafísica, exclamam:
como és bonito!
Quero escrever-te até encontrar
onde segregas tanto sentimento.
Pensas em mim, teu meio-riso secreto
atravessa mar e montanha,
me sobressalta em arrepios,
o amor sobre o natural.
O corpo é leve como a alma,
os minerais voam como borboletas.
Tudo deste lugar
entre meio-dia e duas horas da tarde.

Adélia Prado

terça-feira, maio 30, 2006

Papo de vidente; para minha cartomante, vidente e guru KATIA SIMONE

* Viagem?

Levar um tempão para chegar em qualquer lugar depois que bateram no meu carro serve?

* Um moreno ardente no meu caminho?

Bom, na festa do contrário tinha muitas. Serve?

* Problemas com dinheiro?

Tirando os benefiários do mensalão, todo povo brasileiro reconheceria essa afirmação como um retrato da sua vida. 0,75%.

domingo, maio 28, 2006

Philomel

Where is this love? I can't see it, I can't touch it. I can't feel it. I can hear it.

Why isn't love enough?

And so it is
Just like you said it would be
Life goes easy on me
Most of the time
And so it is
The shorter story
No love, no glory
No hero in her sky

I can't take my eyes off of you
I can't take my eyes off you
I can't take my eyes off of you
I can't take my eyes off you
I can't take my eyes off you
I can't take my eyes...

And so it is
Just like you said it should be
We'll both forget the breeze
Most of the time
And so it is
The colder water
The blower's daughter
The pupil in denial

I can't take my eyes off of you
I can't take my eyes off you
I can't take my eyes off of you
I can't take my eyes off you
I can't take my eyes off you
I can't take my eyes...

Did I say that I loathe you?
Did I say that I want to
Leave it all behind?

I can't take my mind off of you
I can't take my mind off you
I can't take my mind off of you
I can't take my mind off you
I can't take my mind off you
I can't take my mind...

My mind...my mind...
'Til I find somebody new

http://www.warnerbrosrecords.com/damienrice/

Lugar errado para dizer, lugar errado para estar. I don't want to lie. I can't tell the truth. So it's over. Sem esquecer.

Cantou o rouxinol com sua língua amputada.

domingo, maio 21, 2006

Monólogo da Cigarra again, participação especial de Sanderson

Minha viagem pra Brasília foi uma frustração: concurso cancelado. Mas, por outro lado, muito interessante: fez entender que o monólogo não acabou não.

O meu amigo Sanderson fez pesquisa com biólogo e descobriu que meu monólogo estava furado. Precisa revisar....A revisão não será ainda agora, mas apenas a advertência de que ele voltará. Então melhor lembrar como acabava (post de outubro, 2005):

A cigarra “ouve um canto:

Amar, é não saber, não ter coragem
Pra dizer que o amor que em nós sentimos;
Temer qu'olhos profanos nos devassem
O templo onde a melhor porção da vida
Se concentra; onde avaros recatamos
Essa fonte de amor, esses tesouros
Inesgotáveis d'lusões floridas;
Sentir, sem que se veja, a quem se adora,
Compreender, sem lhe ouvir, seus pensamentos,
Segui-la, sem poder fitar seus olhos,
Amá-la, sem ousar dizer que amamos,
E, temendo roçar os seus vestidos,
Arder por afogá-la em mil abraços:
Isso é amor, e desse amor se morre!

Ah, entendo agora, diz a cigarra. A alma morre. Isso é amor. Melhor matar o corpo, então, pois a alma está morta antes dele.
Ela pensa em seu amado, que acredita para sempre enterrado em um buraco de terra ao ardor do sol. Ela grita com saudade para com ele finalmente se acasalar:

Ser poeta é ser mais alto, é ser maior
Do que os homens!
Morder como quem beija!
É ser mendigo e dar como quem seja
Rei do Reino de Áquem e de Além Dor!
É ter de mil desejos o esplendor
E não saber sequer que se deseja!
É ter cá dentro um astro que flameja,
É ter garras e asas de condor!
É ter fome, é ter sede de Infinito!
Por elmo, as manhãs de oiro e de cetim...
É condensar o mundo num só grito!
E é amar-te, assim, perdidamente...
É seres alma, e sangue, e vida em mim
E dizê-lo cantando a toda a gente!”

Pois é, a cigarra vai procurar seu amado, pronta para morrer. Para aceitar e gritar cantando seu amor até a morte. Aceita morrer por um grande amor. Acredita que esse amor vai lhe custar a vida, mas acha que vale! A alma já está morta afinal.

Mas, lembrem que a cigarra já havia encontrado vários amores e nunca morria, e não entendia o porquê. Ela pensava que não havia encontrado o verdadeiro amor para se acasalar. Se encontrasse, pronto! Aceitou morrer por amor...

Oras, segundo a pesquisa do Sanderson, a cigarra não morre durante sua vida fértil! Ela não morre por isso e nada a ver com amor; vejam que decepção! Quem morre é o cigarro, como já havia notado e previsto a sábia, vidente, cartomante e guru Gigi, observação amplamente comentada por Hirinamyry, também em outubro de 2005. A cigarra segue sempre, amando ou não.

Sanderson descobriu que é o cigarro quem morre no amor. E mesmo sem o amor: ele explode cantando se não consegue se acasalar... Tem destino pior que o rouxinol, pobre Philomel.

Vejam só, a cigarra não morreu! Obaaa!

Então, ela há de voltar no último capítulo de Os beijos que sonhei pra minha boca... De vida nova!

terça-feira, maio 16, 2006

CHEGUEI

Depois do caos, cheguei em Brasília, cidade de não poucas lembranças e nem sempre boas... Vim buscar um pouco das lágrimas derramadas. Acho que não as encontro mais...

Até a volta, pronta pra Swingers na quinta...

sábado, maio 06, 2006

Comentário sobre a famosa máquina de fazer pão!!! E a minha anda quebrada....hehehe

Nishi disse:
Por favor, falem logo. Mas, de cara, eu já acho que ele não faz pão francês e baguete, o que já complica as coisas.

Dennis disse:
Pró: Vc programa o trem pra ter pão quente na hora que acordar… êita mordomia!
Contra: Seu pão sempre vai se parecer com um panetone.
Se fica bom mesmo também num sei… mas essa tal máquina tornou-se o sonho de consumo de 9 em cada 10 das minhas cunhadas e sobrinhas!

Fer disse:
o pao fica bom, mas sai sempre com um formato de tijolão se voce assar dentro da máquina. Os ingredientes sao farinha, agua, leite, fermento, sal, açúcar…. não tem segredo! mas o melhor uso dessa máquina eh pra fazer massa de pizza. Fica perfeita!
bjus,

Cynthia disse:
Ah, já fiz pão em casa, e não achei muita graça nessa maquininha… ela acaba com toda a diversão! Assustar os vizinhos com o barulho da massa sendo sovada, ou ver os gatos (e pessoas) se amontoando na beira do fogão pra aproveitar o calor do forno (e, no caso das pessoas, conversar agradavelmente) são coisas que só são possíveis se não usar essa maquininha…

Luiz Eduardo disse:
Fazer pão sem uma bancada de mármore ou madeira pra sovar a massa e sujar toda a casa de farinha não tem graça…Um casal de amigos tem e no dia que fizeram o primeiro pão foi um desastre Não duvido que dê certo, mas perde um pouco da graça…

Alex disse:
Não tem nada melhor do que aquele pãozinho francês quentinho, tirado direto daquela cesta de pães. Pão bom é aquele ali do balcão da padaria. O resto é só tentativa.

Leticia disse:
Fica com cara de panetone sim, mas nao é ruim nao! Bom, também nao sei se é porque sou paozofila e como tudo que é tipo de pao, basta que nao seja doce. Mas jah provei o pao feito na maquininha, e o bicho é bom sim. Com um requeijaozinho basico em cima, entao… nham nham.

Amanda disse:
Eu aprovei a máquina. O pão, apesar de sair com um formato meio esquisitão, fica bem gostoso. O bom é comer quentinho então de vez enquando eu programo a máquina para fazer o pão de madrugada, aí eu acordava e comia o pão quentinho antes de ir para o trabalho. Pode não ser tão divertido quanto sovar a massa e sujar a cozinha inteira mas é bem prático

Manoel disse:
Tenho uma West Bend que uso sempre há uns 5 anos. Adoro, principalmente porque sempre sei o que estou comendo! E receitas tem aos montes na rede. Sempre faço um pão diferente. A forma é sempre a mesma? E daí? Eu como pelo conteúdo e não pela forma!

Carla disse:
Alguém já usou esta maquininha para fazer pães com trilho integral, vários grãos, etc? Talvez aí valha a pena encarar a carinha de “panetone” rs .. pelo bem do bom alimento, vale a pena abrir máo do delicioso pão frances de padaria.

Luiz Amaro disse:
Também andava curioso para saber como saía o ¨pão nosso de cada dia¨, mas foi bom ter encontrado esse blog aqui, porque desisti completamente de comprar a tal máquina. Pelo formato não me assusta porque os meus pães nunca saem com formato de pão, mas sim por desembolçar 400 paus para depois ficar jogada num canto!

Carla disse:
Pois é, o Luiz Amaro disse pouco mas disse tudo! Eu mesma cheguei na mesma conclusão… Para ser sincera, não seria a primeira compra impetuosa e sem valor que eu teria feito na minha vida… Valeu, Luiz!

Jorge disse:
Me mande como funciona essa maquina, em seu minimo detalhe. Obrigado.

Maria Cristina disse:
gostaria de saber onde posso encontrar uma máquina dessas NOVA, sem uso. Já fiz, e gostei.

Edna disse:
tenho a máquina a 10 anos e ela é perfeita. Ao contratio do que diz a Cynthia, a minha não faz barulho nenhum, posso até deixa-la ligada durante a noite. como diz a Amanda, ele sai meio esquisitão, mas fica muito gostoso.

Rosa Maria R. souza disse:
Tenho uma maquina de pão dessas do Shoptime,o pão dá certo sim,já fiz uns bem gostosos e tudo muito prático, chato é que tem sempre aquele formato,mas tem a opção de retirar sem assar e dar o formato que se quer,eu não tentei ,gostaria de saber se alguém já tentou,e também queria muito mais receitas,vi alguém dizer que tem muitos sites com receitas de máquina ,quais são, por favor?Mas ,em português.Grata.

segunda-feira, maio 01, 2006

Parte vem de Clarice Lispector, plágio e modificação

O que te digo agora deve ser lido rapidamente como quando se olha. Estou consciente de minha falta de merecimento. Mas a palavra mais importante da língua tem uma única letra: é. É. É, te quero. Isso é fato. A harmonia secreta da desarmonia. Quero não o que está feito mas o que tortuosamente ainda se faz. Estas minhas frases balbuciadas são feitas na mesma hora em que estão sendo escritas e crepitam de tão novas e ainda verdes. Embora este meu texto seja todo atravessado de ponta a ponta por um frágil fio condutor – qual? O do mergulho na matéria da palavra? O da paixão? Este texto que te dou não é para ser visto de perto: ganha sua secreta redondez antes invisível quando é visto de um avião em alto vôo. Então adivinha-se o jogo das ilhas e vêem-se canais e mares. Entende-me: escrevo-te não uma história, porque esta eu escondi, mas apenas palavras que vivem do som. O que canta a natureza? A própria palavra final que é nunca mais eu. Esta é a vida vista pela vida. Posso não ter sentido, mas é a mesma falta de sentido que tem a veia que pulsa. Minha pintura não tem palavras: fica atrás do pensamento. Para te escrever eu antes me perfumo toda. Agora vou escrever ao correr da mão: não mexo no que ela escrever. Esse é o modo de não haver defasagem entre o instante e eu: ajo no âmago do próprio instante. Escrevo-te em desordem, bem sei. Mas é como vivo. Não gosto é quando pingam limão nas minhas profundezas e fazem com que me contorça toda. Os fatos da vida são o limão na ostra? Será que a ostra dorme? A verdade está em alguma parte: mas é inútil pensar. Não a descobrirei e no entanto vivo dela. Estou me fazendo. Eu me faço até chegar ao caroço. Assim o mais profundo pensamento é um coração batendo, sincero o coração, embora a história não. Tente entender o que pinto e o que escrevo agora. Vou explicar: na pintura como na escritura procuro ver estritamente no momento em que vejo – e não ver através da memória de ter visto num instante passado. O instante é este. O instante é de uma iminência que me tira o fôlego. O instante é em si mesmo iminente. Ao mesmo tempo que eu o vivo, lanço-me na sua passagem para outro instante. Não é um recado de idéias que te transmito e sim uma instintiva volúpia daquilo que está escondido na natureza e que adivinho. Escrevo em signos que são mais um gesto que voz. O que te escrevo continua e estou enfeitiçada. Te quero muito. Sinto amor. Não tenho nenhum merecimento, mas Deus eu peço, um tempo feliz...